Memórias na chuva - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Memórias na chuva

Memórias na chuva

07/07/2011


Memórias na chuva
Classificação: Livre
Gênero: Drama
Baseado em Bleach

Memórias na chuva


A chuva caia fina, mas mesmo assim intensa. O vento gelado soprava devagar, se misturando com as gotas pequenas das águas que são derramadas pelo céu. Céu este que se encontrava nublado, cheio de nuvens carregadas num tom cinza escuro, mostrando o quanto deve chover por entre os dias que chegarem.

Caminhando pelas ruas desertas, o rapaz nem se incomoda com as poças que molham cada vez mais seus sapatos pretos. A roupa encharcada por conta das horas que perdeu andando, não são um incomodo para ele. Cada passo dado é acompanhado de longos suspiros. Sua mente vaga por lembranças sofridas, por dores que aumentam tanto quanto essa chuva, que ele odeia no fundo da alma.

Suas lágrimas acompanham o cair da água fria, que escorre pela sua face cansada. Sua bela íris castanha, banhada pelo choro crescente se afunda no rubro de seu globo ocular. O cabelo alaranjado despojado e rebelde, já não tem o mesmo brilho de antes. Sua cor um tanto desbotada é fruto de sua melancolia, que persiste em atormentá-lo todos os dias sombrios de chuva...

Com o andar mais lento que o normal, ele continua. Com a cabeça baixa, o jovem nem ao menos parece olhar para o chão. Seus olhos encaram algo que nunca poderá ver, apenas em sua cabeça ele pode visualizar a presença que procura desesperadamente com o olhar.

Uma recordação que mesmo sendo a mais bela de todas, ressurge em sua cabeça e o faz sofrer. Minha culpa, diz para si mesmo. Uma mulher aparecia em cada lembrança, seu olhar gentil, o agradável perfume de flores do campo que emanava em cada abraço vindo dela. Seu sorriso que iluminava as noites mais escuras e a delicada voz com que falava era sempre com conforto e ternura. Poderia sim ser essa a mais fantástica e maravilhosa recordação. No entanto, para ele todas as imagens que tinha daquela mulher, suas palavras e cada carinho que ela lhe dera, agora são torturantes.

As recordações, gestos, abraços que lembrasse, era como sentir milhões de espadas perfurando seu coração. É tudo minha culpa, eu não consegui protegê-la, suas próprias palavras martelavam em seu interior. Uma voz forte o bastante, sempre lhe condenava sobre seu crime.

Ele mesmo se considerava um assassino. O jovem não foi capaz de salvar aquela que sempre o amou e o protegia contra qualquer situação. Aquela linda mulher, que concedia o prazer de uma vida feliz para com ele, morrerá por sua culpa. Por mais que lhe digam que não, ele sabe que fora por sua causa a morte daquela que trazia alegria aos seus dias...

Seu coração doía, era como se sangrasse a cada passo dado. Ele já não tinha mais lágrimas naquela hora. Descarregou todo seu choro pelas ruas que iam ficam para trás. Quanto mais tempo passava, maior era sua culpa. Cada dia que a chuva molhava a terra, seu corpo definhava. A tristeza o consumia pelos anos, e mesmo ainda sendo jovem, o rapaz tinha consciência que aquela dor, que o sofrimento e principalmente a perda o acompanharia pela eternidade. Nem mesmo quando morresse, essa sensação cessaria. A culpa e toda angústia iram juntos com ele para o outro lado. Elas o seguiram mesmo depois da sua morte, e cada vez virá mais poderosa e dolorosa, para lembrá-lo de é sua a culpa. Que ele foi o causador dessa tragédia que se alastra em sua família...

O vento uivava com mais intensidade, seu sopro poderoso, parecia cortar a pele macia do rapaz. O frio foi ficando maior, seus ossos tremiam com as gotas grossas da chuva que havia aumentado. Só que nada o faria parar. Ele apenas quer continuar andando, achava que assim sua tristeza pudesse se dissipar. Um erro...
No fundo, o jovem tinha consciência de que caminhar pelas ruas banhadas por aquela água, somente traria mais sofrimento. Mas mesmo assim, ele decide fazer. Trocou o conforto e o aconchego de seu quarto por essa caminhada torturante...

Mais alguns passos. Assim que seus pés batem na calcada de pedra, ele se dá conta onde estava. O lugar rodeado de algumas árvores, bancos e um pequeno balanço, lhe eram familiar. Já estivera ali antes. Mas quando? Essa era a pergunta que desviava sua atenção da solidão.

O balanço movia-se no ritmo do vento. A madeira um tanto desgastada do brinquedo refletia o quanto o mesmo era velho. O vermelho desgastado com os anos ainda possuía uma cor chamativa, só assim mesmo o tempo mostrava seu poder...

Quase esquecer-se desse lugar era deprimente, mas não tanto quanto a memória que tinha dele. Foi ali que uma vez mesmo estivera com ela. Fechando os olhos, ele ainda pode se lembrar.

O cheiro agradável da brisa da tarde o irradiava. O sol pronto para se por dali a algumas horas, mantinha uma coloração alaranjada no céu, onde se misturava com o azul meio escuro, denunciando que a noite cairia longo.

A grama quentinha aquecia seus pés descalços. A alegria por estar bem ali era grande, mas não era perto da felicidade que tinha por estar com ela...

A mulher sorria, exibindo o mais lindo e sincero sorriso. Os poucos raios que ainda restavam do sol, faziam seu cabelo brilhar. Ela parecia um anjo, seu rosto suave e sua expressão tão contente quanto à dele era fantástica.

Ficaram ali até a noite definitivamente nascer. Ela fazia o balanço ir cada vez mais alto, e o rapaz que era uma criança na época, se sentia como se tivesse voando. Ele ria a cada volta, não queria voltar para casa. Apenas queria permanecer ali, com a presença dela...

A lembrança vivida o bastante, feria ainda mais com sua alma. Uma pequena lágrima escorreu por sua face... Ele pensará já ter chorado o suficiente para esse dia, mas estava enganado. Quanto mais lembrasse, mas lágrimas cairiam e banhariam seu rosto.

Não evitando, o rapaz entra na pequena praça, onde o mesmo balanço de sua infância estava.

Um suspiro foi acompanhado ao tocar no metal gelado das correntes, que sustentam o banco de madeira...

Minha culpa... Soaram novamente em seu interior. Se tivesse sido forte, se ao menos tivesse a chance de salva-la...

- Mãe... – murmurou ele.

Ao dizer aquela simples palavra, sua mente novamente reproduz a imagem daquela mulher. Sua mãe... A pessoa que dera a vida para salvar a dele... A mulher que ele tanto amava, respeitava... Estava morta e foi sua culpa!

Se eu tivesse a salvado, disse para si mesmo. O desespero lhe tomou conta mais uma vez, e nem se importando, ele soca a barra de ferro que compõe o balanço. Nem mesmo uma dor física se comparava com o tormento de sua alma...

- Droga! – desta vez fora o chão que receberá o soco. Ajoelhado ele fita o horizonte à frente. – Perdão mãe...

Sua distração era tanta que não notará a presença de mais alguém naquela praça.

Seus olhos pareciam não acreditarem no que viam. Seu coração tão cheio de magoas pulsava aceleradamente ao constatar quem era a pessoa. Sua pele se arrepiara conforme o individuo chegava mais e mais perto.

O perfume jasmim o envolvia como se afastasse, qualquer tristeza que pudesse retornar. Foi essa mesma pessoa, que meses atrás lhe dera o que ele tanto queria.

A necessidade que o rapaz sentia de querer proteger aqueles que ama, não era suficiente antes... Ele tinha que ser mais forte, precisava ter o poder necessário para salvar todos que lhe são importantes. E isso foi conseguido, graças aquela que esta agora em sua frente...

A moça o olhava com fúria. Ele a deixará preocupada, pois saiu em meio à chuva sem ao mesmo lhe dizer aonde ia.

Os olhos azuis da pequena o encaravam cheio de raiva, seu brilho refletia não apenas ódio por ele ter a deixado tão aflita, mas também preocupação.

Ela o compreendia, sabia mais do que ninguém o quanto ele sofria em dias de chuva. Jamais o questionará o motivo, mas em seu coração ela tinha plena consciência do que atormentava o rapaz...

Sua vontade foi bater nele, até que ele largasse de ser estúpido, ou que tirasse aquela expressão depressiva que ele estava carregando... Não gostava de vê-lo naquele estado desolado... Ele tinha sua família, seu pai, que era um pouco doido, só que assim mesmo carinhoso. Suas irmãs, uma tão meiga que às vezes era difícil dizer que ambos eram parentes. A outra assim como o jovem, era durona e raramente mostrava seus sentimentos, mas mesmo assim o adorava.

Ele tem toda uma linda família para lhe trazer paz e amor. E principalmente... Ele tinha a Ela! A moça nunca deixaria que a tristeza tomasse conta do jovem que vive em seu coração. Doía-lhe ver o quanto essas lembranças ainda o consumiam... Mas ela entendia muito bem os sentimentos dele, ela também sofria às vezes... Ela também não foi forte o suficiente para ajudar uma pessoa que considerava importante...

Ambos compreendiam um ao outro...

O silencio tomava conta deles, nenhum conseguia fazer outra coisa senão ficar encarando um ao outro. O rapaz ainda ajoelhado no chão sentia-se hipnotizado pelas grandes íris azuis escuras da moça. Observar aqueles olhos profundos, o fazia se esquecer de tudo. Nenhuma tristeza, nenhuma dor... Apenas ele e ela... Nem a chuva mais o importava.

Ainda focado na luz vinda daquele azul, ele nem repara no momento em que a moça se ajoelha também. Só nota na hora que sente os pequenos braços dela lhe abraçando. O calor daquele corpo aquece sua pele. O frio já não era sentindo.

A jovem não compreendia o que fazia. Apenas sentiu uma forte vontade de abraçar aquele que a encarava tão intensamente. Nunca havia abraçá-lo daquele jeito. Sua pele molhada roçava na dele que estava fria. Pela primeira vez notara a fragrância vinda dele, nunca tinha se dado conta de como era bom sentir o cheiro dele... Um delicioso aroma doce vinha daquela pele morena. Algo lembrando o perfume de Morangos Silvestres...

O rapaz que foi pego de surpresa, demorou alguns segundos até que finalmente correspondeu ao abraço. Ter aquela pequena em seus braços era reconfortante. Ela era a única pessoa que fazia a chuva em seu interior desaparecer...

Pela segunda vez, ela estava secando toda a chuva, todo o choro presente em seu espírito. Ela lhe dera o poder para proteger as pessoas... Foi graças a Ela que a Chuva definitivamente parou. E mesmo que a Chuva volte, Ela é a única capaz de fazê-la novamente parar!

- Rukia... – sussurrou ele ao ouvido dela.

- Não diga nada... – respondeu ela encostando seu rosto sobre o tórax dele. – Esta tudo bem Ichigo... Eu estou aqui... Vou sempre estar...

Ele abraçou com mais força ao ouvir aquilo. Não queria de modo algum solta-la... Ele sabia, tinha certeza que Ela nunca sairia do seu lado. Assim mesmo, para ele foi ótimo ouvir aquilo dela... Seu coração acelerou ainda mais ao ouvir cada palavra vinda da pequena. Nenhuma aflição poderia entrar agora, não enquanto Ela estivesse com Ele.

Ele também jamais sairia do lado dela! Ele a protegeria e salvaria, não importasse que mal se impusesse no caminho Dela! Por Ela, Ele daria a Vida! Jurou que nada aconteceria com Ela, e nunca quebrará essa promessa.

Enquanto Ela estivesse ao seu lado, não importa quantos dias de chuva teriam... Ela mandaria embora qualquer sofrimento, apenas com seu toque aveludado e quente...

- Obrigado... Graças a você, a chuva parou... – falou ele agora outra vez em prantos, mas desta vez não estava chorando de tristeza... 


2 comentários:

  1. Bom noite,

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    Começamos a pouco tempo e gostaríamos de crescer junto com você!

    Atenciosamente,
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  2. Amei, *-* sabe, comecei a ver bleach recentemente e sabe quem foi a pessoa que causou esta mudança em mim? Foi você!!!

    Suas fics são lindas, tocantes e me deixou curiosa o suficiente para querer ver o anime!

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