Linha Vermelha - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Linha Vermelha

Linha Vermelha

16/08/2011


Linha Vermelha
Classificação: Livre
Gênero: Romance, Universo Alternativo
Baseado em Bleach


Linha Vermelha


A noite caía calma. As estrelas brilhavam com intensidade, brilhando em constante movimento com a lua, que resplandecia bela e imponente no manto do céu.

O vento cantava sua melodia suave, soprando lentamente uma brisa refrescante do início do verão. As folhas mexiam-se com o ritmo constante acompanhando o vento que uivava a mesma canção com o passar das horas. Junto dessa dança o cabelo alaranjado do rapaz se movimentava em sua cabeça, bagunçando as mechas curtas e rebeldes deste.

Seus passos lentos eram seguidos pela lua, mostrando o caminho que ele conhecia bem.
Por si, ficaria ali mesmo, na companhia da lua e das estrelas, sendo banhado pelo aroma doce do vento...

Só que precisa voltar. Ficara tempo demais fora, e sua família já deve estar preocupada, pensando nos horrores que pode ter acontecido. Detestava deixá-los preocupados. Mas não saíra por mal, apenas não queria ficar ouvindo o discurso constante do pai a respeito de casamento.

Estava cansado de ouvir falar no tal matrimônio. No entanto não havia jeito, estava se aproximando da idade de ter uma esposa, e isso o deixava nervoso. Tinha receio de perder sua liberdade, de ter que passar o resto de sua vida com alguém que jamais tinha visto.

Nunca se quer olhou para o rosto de sua noiva, nem sabia seu nome. Os pais recusavam a dizer qualquer coisa, apenas falam que tinham tudo planejado. Que esse era o destino dele...

O rapaz se negava a acreditar. Afinal, ele é que comandava sua própria vida, e seu destino tinha que ser ele próprio a fazer, os pais não tinham que interferir.

Infelizmente as coisas não funcionavam como ele gostaria. Em breve teria que casar com uma desconhecida, já que ambos haviam sido prometidos um para o outro assim que nasceram...

Perguntas borbulhavam em sua cabeça. E ele temia muitas coisas e seu medo se continha em uma única questão: E se eu não a amar?

Como poderia amar alguém que nunca se quer tinha visto e qual o motivo  de casar com essa pessoa se não a amava? Só que por mais que tentasse argumentar, seus pais não o ouviam. Ele queria encontrar sua esposa sozinho, amar aquela que seu coração escolhesse...

Nada os fazia escutar...

Por isso quando o pai começou novamente a falar-lhe do casamento que ocorreria dentro de um ano, o rapaz não agüentou. Correu para fora, queria nem que se fosse por um instante se ver livre disso! Caminhou por horas, até que a noite substituiu o dia e precisava voltar.

E nesse caminho de volta o deixava triste. Se pudesse ir para longe, se tivesse dinheiro, viveria sua vida em paz. Sem as sombras de um matrimônio que não queria!
Pela estrada que seguia, o rapaz suspirava, imaginava um jeito de escapar daquilo. Foi quando se deu conta que se aproximava de sua casa.

O lago que se encontrava em sua frente era o sinal que estava próximo. Que em poucos metros estaria novamente em casa, com o pai a lhe perturbar sobre a bela noiva que lhe foi arranjada...

Parou um instante em frente ao lago, observando a cristalina água abaixo. Tão límpida, que os peixes podiam ser vistos. Foi quando o notou.

Um homem encontrava se de pé ao seu lado. Ele não o havia sentido chegar, e isso o assustava. Estava sozinho segundos antes. Seus olhos não podiam acreditar no que viam. Observou calmamente a pessoa ao seu lado.

Um senhor aparentemente jovem e mesmo assim lhe dava a impressão de já estar nesse mundo a séculos, muito mais do que ele.

O homem parecia perdido com a beleza do lago, seus olhos verdes esmeralda eram fixos nas águas, e os cabelos dourados movimentavam com o ritmo das brisas.

O rapaz podia jurar que algo emanava daquele homem. Ele tinha medo, mas algo lhe dizia que aquela pessoa não lhe faria nenhum mal.

- Olhe o fundo das águas jovem – ouviu o senhor dizer. Sua voz melancólica era calma, como um canto noturno.

O rapaz tinha o coração nas mãos, e sem receio olhou. Sua curiosidade sempre tinha sido um dos seus pontos fracos...

Era linda, os cabelos negros caiam lhe pelos ombros. Lisos, brilhantes. Tinha a certeza que se os tocasse, sentiria a maciez dos fios. A pele alva, branca como a lua, era emoldurada por encantadores olhos azuis. A densidade de sua cor o lembrava da noite, escuro e ao mesmo tempo emanando uma luz própria. O rosto delicado, a boca pequena lhe dava um aspecto jovial e belo, extremamente belo...

- Esta é a mulher com que se encontra conectada a sua linha do destino – disse o homem. – Essa é aquela que esta ligada a você pela linha vermelha, ambos se encontram logo.

O rapaz furioso por ouvir novamente que mais alguém quer controlar sua vida, atira sem pensar uma pedra no fundo do lago, bem na imagem da moça que se expande até não restar nada, apenas os peixes assustados.

- Quem é você? – o rapaz grita, irritado com aquilo

O homem apenas sorri, e chegando perto do jovem toca-lhe a testa com o dedo indicador. O rapaz tomba perplexo com a força que sente penetrar em seu corpo. Era como se um raio o tivesse atingido, sentia que logo desmaiaria. Pouco a pouco sua visão foi escurecendo e caiu direto ao chão...

.

Anos passaram-se, como se por uma sorte, o tão odiado casamento é adiado por parte da família da noiva. O motivo foi a enfermidade da jovem, que ninguém sabia qual era.

Apenas que ela se encontrava incapaz de casar no ano que se foi combinado.
O rapaz agora um homem feito, se dizia com sorte. Logo teria dinheiro o bastante para fugir, pois os pais insistiam em tal união e o proibiu de se aproximar de qual moça que não fosse sua real noiva.

Ele já estava cansado de toda aquela situação que vivia. Jamais se esqueceu do lago, do senhor ou da moça que virá refletida nas águas. No entanto considerava o episodio um sonho, uma ilusão. Nada podia ser real naquele dia.

Com o tempo que se passava, ele contava os dias para sua gloriosa fuga. Faltava pouco para ter sua vida em suas próprias mãos e isso o deixava animado. Até que aconteceu.

Os pais o avisaram que o casamento aconteceria naquela noite. A família da noiva não podia adiar mais, temiam pelo falatório do vilarejo. Logo a moça passaria da idade de se casar, e seria mal falada. Ambas as famílias concordaram, que daquela noite não passaria, que eles estariam casados.

O rapaz revoltou-se, faltava pouco, em semanas sairia daquela casa. E agora não tinha escapatória, teria que seguir com o desejo dos pais. Era isso, ou viver na miséria, já que não tinha ainda o suficiente para se arranjar em outro lugar...
.

Os preparativos corriam rápidos, todos estavam atarefados e ele só podia esperar. Nada poderia ser feito agora...

Desiludido com sua falta de sorte, o rapaz caminha até chegar ao lago, esperando poder recordar o máximo de quando o destino podia ser feito por suas escolhas e de como poderia ter vivido se isso não acontecesse...

Só não esperava a encontrar...

Sentada a beira das águas, ela se deslumbrava com os pássaros que pousavam para saciar sua sede.

- Você deve ser Kurosaki Ichigo, estou certa? – ela perguntou com um sorriso na face – Te reconheci pelo que minha governanta disse. Suas feições são exatamente como ela falou, e seu cabelo curiosamente laranja como ela mencionou também.

Ele não podia acreditar. Era ela, não havia duvida. Reconheceria aqueles olhos azuis, aquele cabelo negro e aquela pele banhada pela lua...

- Sou Kuchiki Rukia – ela sorriu ainda mais ao dizer quem era. A voz dela o arrepiava, era tão terna, singela. – Sou aquela que seus pais escolheram como sua esposa.

Ele já não tinha mais duvida. Não era apenas um reflexo. Ela estava ali, o encarava com aquela íris azul exatamente como a noite, apenas esperando uma palavra dele.

- Por que deixa essa mecha entre seus olhos? – ele a questionou.

Aquilo só podia ser mesmo um puro azar, de tudo que podia dizer, foi aquilo que perguntou? Era um idiota mesmo, e sentia as bochechas queimarem ao compreender a estupidez da pergunta...

Mas não podia culpar-se. Notou algo de diferente naquela pequena moça em sua frente, ela tinha mudado da primeira vez que o viu no lago. E a mecha entre os olhos era o diferencial. Naquela noite quando o homem a mostrou, o cabelo dela estava solto como agora, mas a franja presa ao lado.

 - Oh! – surpresa ela lhe responde com sinceridade. – Há alguns anos atrás um rapaz me atirou uma pedra, e essa me fez um corte profundo. Uma cicatriz que tenho entre meus olhos. Por isso a escondo.

Ela lhe mostrou.

- Por essa razão me recusei a casar com você – ela continuou, agora entre as lágrimas – Mas meus pais e amigos me convenceram que eu continuava ainda bonita, e que podia esconder a cicatriz com a mecha...

Ele a tocou o rosto, secou suas lágrimas e beijo lhe a testa. O rapaz estava feliz, como jamais tinha estado. Seu coração palpitava por aquela moça...

- Você é linda! Jamais se esqueça disso! Seu sorriso a torna a mais bela entre as mulheres. Seus olhos são de um azul tão intenso, que até a noite teria inveja de sua cor! Seu rosto é o mais belo que já vi! Eis magnífica Kuchiki Rukia!

Ele a abraçou com força e chorou ao seu lado. Agradeceu aos céus por mandarem aquele homem. Pois desde aquele dia, não tirava a imagem daquela moça da cabeça. Ele se recusava acreditar que se apaixonará naquele dia por aquele reflexo. E agora ao lado dela, sentindo seu perfume, ouvindo sua voz. Ele soube que a amava, e que a amaria mesmo com o passar dos anos. Que apenas ela tinha lhe sido destinada.

Eles estavam ligados, conectados pela linha vermelha. Uma linha invisível aos olhos humanos, que apenas os Deuses são capazes de ver...

Sammysam Rosa

Escrito por:

Sammy. Casada e apaixonada por livros. Gosto de literatura policial, suspense e terror. Típica pisciana, sonhadora e curiosa.

Um comentário:

  1. Ótimo como sempre, amei amei amei!! Ah, mais tarde passa lá no Mury's Diary que eu postei mais um capítulo de Pétalas Azuis XD Beijoos

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