Desabafo - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Desabafo

Desabafo

11/09/2011


Desabafo
Classificação: Livre
Gênero: Drama
Original
Desabafo

A noite nunca foi tão angustiante e sofrida. O vento lá fora vem acariciar minha face acolhendo meu choro. As estrelas são testemunhas de minha solidão.


Sentado aqui na beira do rio, reflito, relembrando os acontecimentos dessa noite tempestuosa.

Você chegou de mancinho, quieta e tristonha, mostrava uma face sofrida. Nem mesmo seu sorriso transmitia alegria.

Estranhei sua chegada, ainda faltavam horas para o termino de seu serviço, fui pego de surpresa àquela hora.

- Precisamos conversar. – você falou firme. Sua voz saia determinada e estranhamente calma.

- O que foi? – perguntei sem alarde, mas algo em mim gritava temendo já saber do que se tratava.

- Quero voltar a minha cidade. – você respondeu.  – Estou insatisfeita, tenho saudade da minha família.

- Esta bem. – eu pareci frio naquele instante, mas todo meu ser se desabava em lágrimas.

Eu temi que esse dia pudesse chegar, e tive certeza que não estava preparado para aquilo, para aquela decisão.

Sempre dizemos juras de amor um para o outro, tínhamos plena certeza de nossos sentimentos, prometemos ficar juntos até o fim dos dias.

Só que algo em mim sabia, eu notei sua atitude logo cedo, chorando pelos cantos, preocupada com nossa situação no momento.

Talvez tenhamos sidos precipitados, deveríamos ter dado tempo ao próprio tempo. Esperado para ver, para amadurecermos...

- Minhas chances estão lá! – continuou – Aqui jamais realizarei meu sonho, minha família precisa de mim...

Sua face rosada já banhada pelo choro havia ficado num vermelho intenso. Senti-me um egoísta ao ouvir suas palavras...

Eu jamais te obriguei a vir comigo, lhe disse que esperaria, não importava quantos dias, ou anos passassem.

No entanto, ambos ansiávamos a presença um do outro. Os quilômetros que nos separávamos era uma tortura, te ver apenas uma única vez era angustiante. Sofríamos ao longe, esperando, contando para o novo encontro...

- Não posso te obrigar a ficar... – sussurrei, meus olhos encontravam o chão, eu segurava as lágrimas que persistiam em cair.

- Eu não posso ficar sem você, mas também não quero abandonar o que deixei para trás...

- Quando quer ir? – perguntei sem me importar com que você pronunciava.

Você se calou por minutos esperando não serem aquelas as minhas palavras. Mas eu nada podia fazer, metade de mim quer estar ao seu lado, só que a outra apela, implorando para que eu te deixe seguir...

Eu já tinha feito minha escolha... Abracei-te e beijei-lhe a testa. Não queria que ficasse somente por minha causa, eu precisava de você por completo e não somente a metade...

- Você ainda tem duvidas, eu não... – minha voz teimava em sair. – Jamais posso te impedir...

Aquela foi à decisão mais importante e a correta. Entreguei lhe minha aliança, o vinculo de nosso amor...

Em prantos você partiu, somente levando o símbolo de nossa vida.

Agora neste fim de noite, gostaria apenas de poder dizer essa frase ao seu ouvido:

- Eu te amo e sempre amarei...

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