A dor em seus olhos - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: A dor em seus olhos

A dor em seus olhos

02/09/2011


A dor em seus olhos
Classificação: Livre
Gênero: Romance
Original


A dor em seus olhos


Nunca fui uma pessoa de se apaixonar fácil. Sempre achei fútil esse negocio de amor a primeira vista. Jamais acreditei no amor, e pelo simples fato que ninguém nunca me despertou esse sentimento.


Todos falam o quanto é maravilho sentir algo por alguém, por isso sempre me perguntei por que comigo isso nunca aconteceu. Confesso já teve rapazes interessantes que passaram por minha vida, mas nenhum deles me chamava à atenção, a ponto do meu coração se apaixonar. Por isso, me convenci que isso nada mais é que algo sem sentindo. Um sentimento ridículo e muitas vezes falso. Afinal muitos acabam por traindo seus supostos amores.

O amor jamais foi algo que me movia. Eu seguia meu caminho sozinha, trilhando meu próprio destino. No meu peito alguns dizem que batia um coração de gelo,  que não se importava em amar... Isso acabava doendo um pouco, só que sempre manti minha opinião. Não me abalaria por mexerico dos outros! Posso viver sozinha, não há mal em desejar ser só...


Só que tudo mudou naquele dia.

O vento soprava com força, as folhas das arvores atrapalhavam meio caminho. Muitas delas ficavam presas, em meus longos cabelos ruivos. O ar frio daquela tarde parecia cortar minha pele. Minha intenção era chegar a minha casa o mais rápido possível.

No entanto, as grossas gotas de chuva me pegaram no caminho. Toda minha roupa se molhava e por mais que eu corria, o caminho parecia mais longo.

Trovoes e relâmpagos podiam ser vistos no céu escuro. Cada clarão me dava medo. As arvores pareciam se debater uma contra a outra. O som do vento era estridente, eu estava apavorada. Meu medo de criança surgiu naquele momento. O medo dos raios, da terra desabando, das águas me tragando para o fundo do mar. Todos os meus temores viram a tona.

Cai de joelhos na terra molhada. Meus olhos ardiam. Aos poucos lágrimas caiam deles. Com as minhas mãos, segurei meus braços, a fim de me aquecer. Só que tudo parecia em vão. Aquilo só podia ser um pesadelo. Não havia nenhuma força em meu corpo, por mais que meu ser disse: “Levante e siga em frente”, continuei ali. Afogando minhas lágrimas em meio aquela tempestade que pouco a pouco aumentava. A ventania aumentava, as gotas de água vinham mais rápido, cada vez mais forte...

Quando finalmente me dei por vencida, me deixei levar. Meu corpo caia lentamente em direção ao chão. Senti o quanto fria estava àquela água. Olhando para o horizonte, percebo mais e mais clarões. Os raios estavam pertos, eu soluçava e chorava.

Aos poucos fechei meus olhos. Apenas ouvi o barulho da chuva. Gotas pingando com força. 
Nunca senti tanto medo quando estava sentindo naquele momento. A escuridão varreu minhas esperanças. A luz da minha alma se evaporava no longínquo mar de trevas em minha volta.

Sei que parece estranho, mas meu temor por tempestades era um fardo que eu carregava por anos. Nunca me permitir sair na chuva. Sempre que ameaçava chover, corria para de baixo dos lençóis quentes de minha cama. Torcia para que os raios acabassem logo, mais um tempo ali e eu não agüentaria.


Em meio a minha desistência, sentia o calor percorrer minhas veias. Pude sentir meu corpo sendo puxado do chão. Minha visão embasada dificultava olhar para o que acontecia. Só tinha certeza de uma coisa: Eu estava a salvo, quem quer que tenha me ajudado jamais entenderia o que uma garota estava fazendo ali. Estirada em meio às poças da água, tremendo de medo da tempestade...

.

O doce cheiro de flores penetrava em minhas narinas. O gostoso calor do fogo me aquecia aos poucos. Eu estava deitada em uma grande cama. Os lençóis brancos e macios confortavam minha pele fria.

Eu nem conseguia destingir direito onde estava. Minha visão embasada estava dificultando à medida que eu ai abrindo lentamente os olhos.

O teto me parecia ser de madeira, aliais toda casa em seu interior podia ser o mesmo material, eu somente conseguia observar a cor. Um marrom escuro e denso.

- Deveria tentar dormir – foi o que escutei alguém dizer. – Não sei quanto tempo passou deitada recebendo aquela chuva, mas para seu bem, deve descansar.

O som era melancólico, triste. Pude notar até uma solidão perante aquela voz. E ao encarar meu salvador, a confirmação foi certa. Seu rosto podia não estar tão nítido, mas eu notei. A dor lhe invadia a face. A angústia era penetrante em seu ser.

O pouco que pude ver foram os longos cabelos negros, que lhe caiam pelos ombros. Parecia-me ser liso, e tinha um brilho que podia ser distinguido até pela minha visão turva. Os olhos angustiados provinham de um azul esplendoroso, que demonstrava culpa, receio e talvez remorso?

Sim, eu consegui identificar as características de alguém apenas observando seus olhos. Não é a toa que os antigos dizem, “Os olhos são o espelho da alma”. E naquele homem eu via, podia ate sentir, como sua alma estava aflita, pesada  e magoada...

Sua feição suave era diferente. E ao se aproximar, notei o aroma de sua pele clara. O cheiro amadeirado daquele perfume era envolvente. Tão aconchegante e sedutor. Sua boca fina propunha de um hálito quente, ele me dizia algo, que nem consegui prestar tanta atenção.

Seu movimento encantador em meu rosto, a toalha molhada em minha testa que ele delicadamente colocava, fazia com que eu esquecesse tudo envolta. Eu tentava acompanhar seus movimentos, ouvir sua voz.  O toque era delicado, apenas  com as pontas dos dedos, e me embalando numa cantiga de ninar ele outra vez pedia para que eu dormisse que pelo menos tentasse...

Meu coração foi ficando calmo, terno. Como eu queria sentir mais aquelas mãos em meus cabelos, aninhando meu sono e confortando minha alma de que tudo estaria perfeito amanhã...

Eram gentis suas palavras. Gostoso ouvir alguém ao seu lado, cheio de carinho, mesmo que lá no fundo ele só esteja a chorar... Desejando ter tido a chance de conhecê-lo antes, em outro tempo talvez, eu adormeço implorando para que não chore, para que dor em seu peito termine com noite e que desperte feliz com os raios do sol... Eu o nunca soube identificar o amor, e talvez eu viva sem saber...

Mas sei que naquele dia algo mudou. Somente penso em como seria ter ficado ali e me apaixonado por aquele homem de olhar aflito e mesmo assim cheio de ternura por uma desconhecida... Quem sabe, suas lágrimas finalmente pudessem ter sido secadas.

2 comentários:

  1. Ameei seu blog ,
    Cada texto lindo que tem aquii ! Já sou sua seguidora !!
    Parceria aceita ^^
    Já add seu blog nos parceiros !

    Kissus

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  2. Olá Hinata's!

    Muito obrigada por me add como parceira *-*
    Fico feliz que tenha gostado dos meus contos *-*

    Bjs e valeu pelo comentário!

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