Eu quero... Você - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Eu quero... Você

Eu quero... Você

27/09/2011


Eu quero... Você 
Classificação: Livre
Gênero: Dram, Romance
Baseado na animação Draw with Me e na música Cherish de Ai Otsuka



Eu quero... Você 



Frio... Sim é o que eu sentia... Por mais que eu tentasse ignorar a sensação, meu corpo já não me deixava sossegado. Minha pele se arrepiava e aos poucos eu notava meus braços se encolherem, minhas mãos esfregavam a pele fria, molhada pelos muitos flocos de neve que caiam...

Sim é neve... Novamente esta nevando...

Não sei desde quando estou nesse lugar, e a única coisa que me lembro é a neve... Os pequenos flocos brancos, caindo tão lentamente, como os dias tristes que vivo nesse longínquo espaço sem fim...

Minhas lembranças são como um borrão... E assim como hoje, eu me lembro de estar acordando no meio do nada... Sozinho... Triste... Com a neve acompanhando a solidão que me assombra... Queimando meus sonhos...


Todos os dias me parecem iguais. O céu acinzentado, cercado de nuvens escuras... Sem nenhum brilho... Sem sinal de luz... Mas não digo da luz que nos faz enxergar, e sim daquela luz, do calor, da sensação de acolhimento... Diferente desse cinza, desse azul melancólico a qual aos poucos vou me acostumando a aceitar...

Será que um dia encontrarei alguma coisa diferente dessa angústia? Ou será que a esperança se esvairá de minhas mãos e eu ficarei perdido aqui para sempre?

Já cansado de permanecer deitado no chão, decido por me levantar e fazer o que sempre costumo nesse horário... Isso se realmente o tempo passa nesse mundo... Por que mesmo que eu acredite, minha realidade parece à mesma... Como se eu estivesse fardado há repetir os dias na escuridão chamada Tristeza...


Não sei por canto tempo caminhei. Apenas reparei que foi o bastante para meus pés reclamarem...

Mas a dor logo me é esquecida. Algo chamou minha atenção... Jamais havia reparado nisso antes... Talvez sempre estivesse ali...

Um vidro...

Não sei bem sua altura, no entanto eu via o topo e estranhamente, não dava para o céu...

Observando sua extensão, meus olhos se perdem no horizonte infinito desse mundo. Ele também não tinha fim...

A neve continuava caindo. Seu toque gelado seguia meus passos ao vidro. Jamais compreendi o porquê, eu somente sabia que precisava tocá-lo. Quem sabe constatar que ele realmente era real...

Aproximando-me, deixei que minha mão direita o toque... Eu podia ver o fraco reflexo do meu próprio membro...

Olhei novamente para os lados, com a esperança de talvez entender o motivo de aquele estranho objeto estar ali...

Foi quando a encontrei...

Ela provavelmente tinha minha idade... A menina também tocava no vidro, como se estivesse fascinada com aquilo.

Suas duas mãos tão pequenas iam de baixo para cima do vidro...

Eu nunca soube a razão. Só sei que naquele instante, cada floco que descia das nuvens não importava mais... Era como se por um momento, o frio ficasse distante... Havia mais alguém naquele lugar sombrio... Eu não estava sozinho...

Notei que ela me observava ainda mais surpresa do que eu... Corri ao seu encontro, meu coração quase não se agüentava em saber que havia mais alguém naquela terra sinistra...


Ao chegar perto, tentei lhe dizer algumas palavras, até perguntas que me tiravam o sono eu cheguei a dizer aquela menina... Uma estranha, que de algum modo confuso me parecia familiar...

Seu cabelo ia até a altura do pescoço. Liso de uma cor tão intensa e magnífica, ela resplandecia um brilho que eu jamais pensei que viria... A franja dividia ao lado, caia próximo aos olhos. Imaginei por um segundo como podiam ser macios...

Esperei que ela me desse uma resposta, eu tremia por dentro. Seria a primeira vez que eu ouviria algo diferente que não fosse minha voz desafinada e monótona...

Só que para minha decepção, ela nada disse. Vendo-a se aproximar do vidro, compreendi que nenhuma das minhas palavras ela tinha sido capaz de ouvir.

Gritei com todas as forças que eu tinha. Quem sabe assim... Mas ela sacudiu a cabeça em sinal negativo... Algo naquele vidro nos impedia de conversar... Uma pena...

Só que eu não iria desistir. Não agora que a solidão estava sendo derrotada!

Pensei por um instante, foi quando me lembrei de uma coisa. Nem reparei que ainda estava comigo.

Retirando dois pedaços de giz preto do bolso, deixo-a ainda mais confusa...
Confirmando se funcionaria minha idéia, dou um pequeno rabisco. Em seguida acompanhado da frase:

“Você pode escrever?”

Joguei o outro giz para menina, que ultrapassou o topo do vidro caindo no chão. Imediatamente ela o pegou e do seu lado escreveu:

“É claro! Dãã”

Confesso que me constrangi com a pergunta e ainda mais com a resposta dela...

“Sabe desenhar?” – novamente escrevi, agora junto de um singelo desenho da minha própria pessoa.

“Sim” – foi a responda que me deu, acompanhada de um... Claro de um desenho. Mas o engraçado, era a forma com que ela se auto - desenhou.

Corei ao ver seus... Ou melhor, corei ao ver seu desenho.

“Você não é exatamente igual...” – respondi. Em seguida mostrei onde ela havia exagerado. Quem sabe fosse indelicado, mas não cabia mentir.

Surpresa, ela grita e arregala os amendoados olhos, ao notar meu desenho – ela tinha exagerado quanto aos seios, que em sua imagem feita por giz, estavam bem fartos, sendo que ela era reta –

Por dentro eu ri da reação daquela menina. No entanto, uma pontinha de medo surgiu em meu coração e a duvida pairava no ar antes dela novamente escrever: Será que ficou magoada?

Felizmente não! Determinada, ela continua! Um sol, uma lua. Casa, corações, pássaros, borboletas... Logo sentamos para podermos desenhar mais e mais...

Estrelas... Doces... Animais que eu nem conhecia, e que viviam na mente daquela doce menina a minha frente...

Ficamos horas assim. Sentados, desenhado as mais diversas imagens... Ela sorria cada vez que seus dedos pequenos e frágeis avançavam de um lado a outro. Traçando figuras de ponta a ponta que dava...

Aquele sorriso me enchia de prazer. A íris clara e viva da garota me fascinava. Ao mesmo tempo em que me deixava intrigado e ainda mais e mais triste...

Afinal, eu não queria estar na frente dela. Eu desejava permanecer ao seu lado. Sentir o toque de suas mãos, que eu imaginava ser tão aveludados quanto sua pele cor pêssego que compunha seu rosto delicado...

Percebi que suas bochechas ganharam uma vermelhidão, assim que ela notará meus olhares a sua imagem... A menina se acanhava e eu suspirava de remorso por estar ao mesmo tempo perto, e ainda sim... Tão longe...

Toquei o vidro que insistia em nos separar... Queria tanto tocar aquela pele, sentir o calor vindo dela...

Ela abaixou o olhar por um breve momento... Cogitei que não havia entendido meu sinal...

Minha alegria foi tamanha quando sorrindo, ela tocou - mesmo que literalmente - minha mão...

Jamais seria a mesma coisa com aquele vidro nos impedindo...


“Você sente frio?” – perguntei. Os flocos de neve aumentavam e minha preocupação com ela, era maior que eu poderia imaginar.

O silencio dela já era minha resposta...

Minha garganta se apertou quando descobri a solidão naqueles olhos bonitos... Meu coração doía de tal maneira que somente pode fazer uma coisa...

“Quero estar com você” – escrevi segurando as lágrimas que começavam a brotar...

“Você esta comigo” – ela me responde sincera. “Só há um vidro entre nós”

Essa ultima frase, me cercou de um ódio gigantesco! Um maldito vidro! Ele me separava dela! Do abraço, da presença! Da ternura dos lábios quando sorria... De tudo!

Nunca me senti mais solitário do que naquela hora! Por que não posso chegar perto de alguém que esta bem a minha frente?

Quem seria capaz de privar duas pessoas da companhia uma da outra? Por que estávamos juntos e ainda sim separados?

A raiva apenas consumia meu ser. Sem pensar fiz o que me pareceu ser o certo!

Com os punhos fechados, bati cada vez mais forte daquela maldição entre nós dois. Ela gritava, provavelmente implorando para que eu parasse... Só que nada me faria mudar de idéia! Era apenas um estúpido vidro! Se quebrado estaríamos finalmente juntos!

Minha força ia aumentando misturada com a raiva, frustração e talvez com a esperança de tê-la em meus braços...

Com os segundos que se passava, o desgraçado ia rachando. Logo ele quebraria de vez! Acenando ao mesmo tempo em que gritava inutilmente, digo para que ela se afaste. Não quero que nenhum caco a venha machucá-la...

Duas, três, quatro batidas... Sinto que pouco a pouco ele vai se partindo... Quando emprego ainda mais força, o vidro se rompe.

Meu punho direito ultrapassa o vidro. Agora é questão de milésimos para meu corpo também passar por ali... 

Para meu espanto, instantaneamente ele começa a se reconstruir. Os cacos antes quebrados, vão se juntando, peça a peça, como um quebra-cabeça... E cada parte, rasga minha carne, destrói minha mão... E me presenteia com uma dor intensa, repleta de sangue e frustração...




Alguns dias se passaram... Eu andava ainda mais triste, magoado por não poder estar com ela... Meu braço havia sofrido muito mais dano do que eu havia imaginado. Metade dele estava enfaixado...

“Você esta bem?” – ela pergunta-me cheia de preocupação...

Nem me dou o trabalho de escrever... Cedo ou tarde ela descobrirá... Por isso apenas confirmo balançando minha cabeça... Queria ficar apenas observando aquele rosto... Nada mais...

“Quer desenhar?” – lançando-me um dos seus mais lindos sorrisos, ela outra vez questiona-me... É com certeza seria mais cedo...

“Eu não posso mais”

Minha escrita era quase ilegível... Escrever com a mão esquerda nunca foi meu forte... Essa afirmativa me desanimou pelo resto do dia... Não queria magoá-la, por isso me retirei sem olhar para traz... Em meus ombros, o peso da angustia dela me pesava... Era sufocante ter que saber que agora nem desenhar poderemos mais fazer juntos...


Decidido a encarar aquela luz ao menos uma ultima vez, deparo-me com algo fora do comum.

Ela continuava no mesmo lugar. Sentada, provavelmente com os joelhos apoiados no chão. Uma espécie de manta a cobria do pescoço aos pés. Em sua frente, ao meu lado do vidro, um pacote e uma simples mensagem acima:

“Para você”

Aproximei-me aos poucos. Qual a razão daquilo? Sentei-me a frente dela. Cruzando minhas pernas, a olhei nos olhos. Sorrindo como de costume, ela me incentiva a abrir o presente.

Nada extravagante. Somente, uma fita fechava a caixa...
O nó foi se desfazendo... Ao tirar a tampa, nem acreditei no que via! Meu choque era tanto que foi preciso muito equilíbrio para não cair de vez no chão...

“Desenhe comigo” – ela escreveu

Eu engolia a seco, pasmo pelo estranho presente que me foi dado... Como ela tinha sido capaz?

Nem sequer lhe passou pela cabeça que não era isso que eu queria? Por que tinha que ser assim? Qual foi o sofrimento que teve que passar para fazer isso?

Tantas perguntas... Uma confusão de palavras, sentimentos, me fazia revirar o estômago... A ânsia de amargura fez-me apenas escrever isso...

“Eu não quero seu braço”

As lágrimas escoriam, molhando aquele rosto agora talvez tão ressentido quanto o meu...

“Eu quero você” – terminando de gravar meus sentimentos, a neve foi aumentando se transformando em uma nevasca... Que apagaria qualquer sinal de que estivemos ali...



*Créditos ao autor da imagem

Um comentário:

  1. Oi!!!
    Sou uma das administradoras do País Das Maravilhas!
    Este:
    http://paisdasmaravilhasb.blogspot.com/

    Peço imensa desculpa pela demora da resposta, mas estavamos com problemas de tempo...

    Bom, aceitamos parceria^^
    Vou já adicionar o seu button, poderá também escolher um dos nossos!
    ----------------------------------------
    Gostaria de propor este blog:

    http://bunny-animesespectaculares.blogspot.com/

    Se gostares segue-o por favor

    Kissus, Bunny ^.~

    ResponderExcluir

Antes de comentar, leia com atenção:

Comentários ofensivos não serão aceitos.

Para que você seja retribuído, comente decentemente sobre a postagem, coloque o link do seu blog/site no final do seu comentário.

Comentários com Seguindo, segue de volta e afins, serão excluídos e não irei retribuir!

Críticas são sempre bem vindas, desde que construtivas.


Obrigada e volte sempre!