Memórias de um Policial #2 - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Memórias de um Policial #2

Memórias de um Policial #2

19/09/2011


Memórias de um Policial - Um Assassino entre nós
Classificação: 13 anos
Gênero: Ação, Mistério, Universo Alternativo
Baseado em Bleach

Um Assassino entre nós: Capítulo Um


Memórias de um Policial
Um Assassino entre nós


Capítulo Dois


6h15 da Manhã – Quinta-feira


A chuva molha os tijolos de mármore. As gotas que caem é o único som que se pode ouvir. O sopro gelado do vento parece cortar minha pele. O sol escondido entre as nuvens negras se recusa a mostrar seu brilho. Aquela manhã é de tristeza para todos, não só para a família de Kaien, mas para o Esquadrão também.

O padre diz às palavras que nenhum de nós tem coragem de dizer. Estamos tão abalados, que apenas encaramos o caixão de madeira polida onde se encontra o corpo...
A equipe toda se reuniu nesse dia fatídico. Até mesmo o general superior dos esquadrões, Genryuusai Yamamoto se encontra no cemitério. As marcas do tempo naquela face mostram que ele enfrentou diversos casos durante os anos. Dizem que entre todos os generais que já comandaram os esquadrões, o velho é o mais forte. As cicatrizes que ele carrega parecem ser um tipo de troféu. Cada uma significa um bandido derrotado ou preso...

Estar diante de oficiais tão importantes me causa um temor no corpo. Sinto como se a ira deles estivesse me sufocando. Aceitar de bom grado a morte de Shiba é algo que nenhum policial é capaz de fazer...

Percorro o cemitério a minha volta com o olhar. Aqueles túmulos, cruzes e anjos de pedra são aterrorizantes... Droga, eu não sei por que me sinto tão mal nesse lugar... A ânsia de vomito aumenta toda vez que aquele padre estúpido retorna a falar! Será que é necessário esse discurso tão idiota sobre o destino de Kaien já ter sido decidido? Que ele cumpriu toda a sua missão na terra e blá, blá... Que o plano superior o chamou e coisa e tal... Que sua morte nada mais foi um ato sem pensar do assassino. O pior de tudo é ainda ouvir que devemos perdoar o desgraçado, que tirou a vida do Kaien! Sério falta pouco para eu mesmo ir lá em cima daquele pedestal, e bater no sacerdote! Acha mesmo que posso perdoar o individuo que matou meu amigo?

Não, nunca o perdoarei! Prometi fazer com que ele pagasse, e será por minhas mãos!

- Kurosaki, onde pensa que vai? – percebendo que eu me dirijo para fora do enterro, Histugaya me questiona.

- Desculpe Toushiro... – evitando encará-lo, tento prosseguir meu caminho para fora daquele lugar. No entanto, antes mesmo que eu sumisse em meio à multidão, sinto alguém segurando meu braço. A pressão com que aquela mão me impede de prosseguir, só podia ser de uma única pessoa...

- Peço permissão para me retirar delegado Kuchiki...

- Negado! – o jeito com que é pronunciada aquela mínima frase, soa tão indiferente que sinto medo.

- Se não me deixar ir, irei dar um bom soco na cara, daquele velho desgraçado lá em cima! – com o estômago se revirando por causa da minha ousadia, eu continuo demonstrando coragem: - Ouvir baboseiras sobre um plano divino e perdão, não faz parte do meu serviço senhor!

- Ichi... - sussurrando, ouço a delicada voz da Rukia. Desde que descobrimos o corpo de Kaien, é a primeira vez que presencio novamente o som de seus lábios.

Finalmente soltando meu braço, o delegado retoma sua posição à frente ao lado de Hitsugaya e Renji. Só que antes dele voltar sua atenção para aquele discurso infernal, um último aviso é dito:

- Esteja em minha sala ás nove!

Concordando, percebo o sorriso malicioso de Abarai em minha direção. Logo em seguida, o resmungo de Toushiro, dizendo algo como Idiota! Isso tanto faz para mim, o que quero mesmo é sair daqui o mais rápido possível. Se eles acham que me importo com as palavras de Byakuya, estão completamente enganados! Que se dane ele e suas ordens! Tenho uma missão a cumprir! Preciso pegar esse maldito! A prisão é uma punição fraca para o assassino de Kaien Shiba! O que ele merece mesmo é receber uns bons tiros! E serão todos disparados pela minha arma!

Quando finalmente consigo sair do meio daquela multidão, me deparo com uma mulher. Seu rosto jovial e sua pele clara destacam os negros cabelos lisos que possui. Os olhos em um tom verde escuro são ofuscados pelas lágrimas que rolam por sua face. Mas mesmo em lágrimas, ela não aparentar tristeza. Ao contrario, com as sobrancelhas franzidas, a moça mostra raiva.

Enxugando o choro que insiste em cair, ela observa o horizonte acinzentado. Um brilho muito intenso surge naquela íris esverdeada. É como se eu estivesse olhando diretamente para o fogo selvagem, que queima as árvores desprotegidas...

- Sabe, esse senso de proteção que ele sempre teve era irritante! – diz a mulher em um tom zangado. Será que ela esta falando comigo? – Do que adianta querer proteger a todos e não conseguir salvar a própria pele?

- É por que queremos proteger, que escolhemos ser policiais! – eu disse ao me aproximar. - Kaien jamais deixava um único bandido ferir um inocente! Ele preferia ser atingido, a ver alguém morrer na sua frente.

Notei que ao terminar de falar, ela sorria. Não posso negar que Kuukaku Shiba, irmã mais velha de meu amigo, seja atraente. Uma bela mulher, principalmente com aquele vestido todo desenhado na cor preta. Algumas rosas bordadas em linha branca contrastam a beleza daquela roupa e de quem a usa. O decote avantajado do vestido exibe suas lindas qualidades! O que posso dizer sou homem, e noto a beleza do sexo oposto. Só mesmo assim, Kuukaku não faz meu tipo... Tenho outra pessoa em mente, a mesma que fez a chuva parar...

- Devo agradecê-lo Kurosaki Ichigo!

- Pelo que? – estranhando seu comentário, á observo com curiosidade.

- Por trazer meu irmãozinho de volta! – um tom sério é profanado daqueles lábios vermelhos.

- Não me agradeça! Só venha a dizer obrigado, quando eu pegar o miserável que matou Kaien!

Agora é ela que não entende minha atitude. Sem dizer mais nenhuma palavra, me afasto da jovem Shiba. Antes de continuar meu caminho pelos tijolos do chão, mando um aceno para ela...

Essa não será a última vez que nos encontraremos... Da próxima vez vai ser no dia em que o corpo do assassino será enterrado!

.

De volta ao apartamento onde moro, jogo meu terno molhado no sofá. Pouco me importa se irá estragar a mobília. Hoje só quero afogar a dor insuportável dento do meu peito... Ou melhor, é isso que eu devia fazer... Só não faço, pela simples razão de detestar beber! Jamais gostei desse liquido amargo que muitos se viciam...

Já que o álcool está fora de questão, vou até o banheiro. Tomar uma ducha, com certeza aliviará meu corpo.

Deixando que o jorro do chuveiro me molhe, tento entender o motivo da morte do Shiba. Tenho pela consciência de que ele teria escapado, e prendido seu assassino se pudesse... Então por que não fez? Com aquele talento, ninguém era capaz de persegui-lo. No entanto o maior mistério se deve aquele sorriso. Qual o motivo dele sorrir daquele jeito? Nego a acreditar que Kaien esta feliz por morrer...

- Droga Kaien! – digo ao esmurrar a parede do banheiro.

Ao terminar, apenas visto uma calça longa num tom azul desbotado. Deixando meu tórax nu, deito no calção macio da cama. A sensação de conforto logo penetra em mim. O cansaço do dia anterior ajuda o sono, que vem rápido. Em minutos sinto minha mente flutuar e se entregar em rios de sonhos confusos...

.

- Ichigo esta vendo aquela parede? – aquela voz tão familiar... Será?

- Sim o que tem?

- Um dia minha foto estará lá! – com um sorriso contagiante, ele admira a parede a nossa frente.

- Kaien, não acha meio estranho dizer isso? Ali é aonde se colocam as fotos de oficiais mortos em serviço! – ao ouvir aquilo, me bate uma sensação estranha...

- Eu sei! Por isso quero estar lá também! – com orgulho, ele volta a admirar o que esta olhando. – Morrer em serviço significa que fizemos bem nosso trabalho! Mostra que conseguimos proteger aqueles que nos são importantes!

Apenas escutando, analiso o que me foi dito... Quando penso em falar mais alguma coisa, ouço pingos e mais pingos baterem no chão. Um odor atordoante faz minha cabeça girar...

- Kaien!? O que esta... – ao virar para meu colega, me deparo com seu corpo todo ensangüentado. Seus olhos lacrimejavam mais e mais sangue...
- Mas... – minha voz esta falhando. Ao redor, uma poça vermelha espessa gruda meus sapatos. – Merda!

- Ichigo me responde uma coisa?

Com o coração batendo em um ritmo frenético, tendo evitar encarar o indivíduo ao meu lado. Até que sinto suas mãos frias e pálidas segurando meus ombros...

- Por que me matou? Pensei que fossemos amigos Ichigo! – quase gritando, Kaien salpica seu sangue em minhas roupas. Saia tanto de sua boca... Que era repugnante...

- Não se aproxime do porão... Não se aproxime! – agora definitivamente ele gritava, seus dedos arranhavam minha cara. Droga é tanto sangue...

- Kaien! Kaien! – enquanto pronuncia seu nome, eu tento tirar aquelas mãos de cima de mim.

- Não vá lá! Não vá!

.
- KAIEN! – berrando, fecho meus olhos. – Ahhhhhhhhhhh!

Ao abrir novamente minhas pupilas, procuro saber onde estou... Um sonho, ou melhor, um pesadelo... O lençol no colchão esta encharcado. Noto que estou suando em pela noite fria. Pois a janela ainda permanece aberta, e um sopro gelado me faz tremer...

- Tenho que respirar um pouco! – convicto que preciso de ar, visto uma camisa branca. Saio batendo a porta... Não sou mais criança para ter medo de um pesadelo!

.

As ruas desertas ainda possuem os vestígios da chuva de manhã. O latido dos cães é apenas o som que ouço... Permitindo que meus pés me conduzam por vontade própria, me encontro parado enfrente ao cemitério...

Fazer o que? Já que estou aqui, vou entrar! - pensei comigo mesmo

Por sorte o lugar ainda esta aberto. A única luz a iluminar o caminho é vinda da lua. Cada vez que avanço por entre os túmulos, um piado é capitado.

- É apenas uma coruja! – tento não me abalar com a pressão assustadora ao meu redor. Só que sinto meu coração gelar, ao ouvir um choro...

O ruído é abafado, mas parecia perto... Corro em direção dele, e fico surpreso ao constatar que é ela enfrente ao tumulo de Shiba...

- Rukia? Por que ainda esta aqui? – perguntei quando cheguei ao lado dela.

- Ichi... – em prantos, ela tem dificuldade de falar qualquer coisa.

- Tudo bem... – digo ao abraçá-la... Tomar em meus braços aquela pequena é uma satisfação. O doce perfume que ela utiliza é tão gostoso...

- Desculpe...

- Não tem problema sua louca! – acariciando os negros cabelos da Kuchiki, aproximo meu rosto. Até que recosto minha cabeça na dela...

Á abraçando com ainda mais força, deixo que as lágrimas molhem os fios brilhantes daquele cabelo... O engraçado é que novamente voltou a chover... A água fria escore em nossos corpos ainda entrelaçados um no outro. Se misturando com os nossos prantos, deixamos que a dor tomasse conta...

Assim como Rukia, finalmente consigo chorar e lamentar a morte de Kaien...



*Créditos ao autor da imagem

Sammysam Rosa

Escrito por:

Sammy. Casada e apaixonada por livros. Gosto de literatura policial, suspense e terror. Típica pisciana, sonhadora e curiosa.

3 comentários:

  1. Sugoiii Onee-San
    Blog muito kawaii...
    Aceita parceria? Onegaii!

    DÊ uma passadinha no meu blog:
    http://pandaraio.blogspot.com

    Kissu kissu

    ResponderExcluir
  2. Oie, estou sorteando uma almofadinha da Imaginarium

    Se curtir, participa?^^

    *desconsidere se já mandei esta mensagem hihi

    beijos

    www.cerejarocks.com


    http://www.cerejarocks.com/search/label/Sorteio?&max-results=7

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  3. olá! Você escreve muito bem! Estou começando do meio, e só li pedaço do capítulo, mas vou comentando antes que me empolgue demais e esqueça, acabei de add seu button lá no Dango Gakuen.
    ^^
    Desculpe a demora em responder.

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