Não tenha medo - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Não tenha medo

Não tenha medo

14/10/2011

Não tenha medo
Classificação: Livre
Gênero: Romance
Baseado em Bleach


Não tenha medo


Ela tentava se apressar, os passos indo cada vez mais rápidos. Sua respiração variava, seu coração palpitava depressa, ela custava olhar para trás, mesmo que se sentisse observada, a jovem se recusava a ver o que poderia ser.


A tarde estava chegando ao fim, com ela a noite vinha, as estrelas brotavam aos poucos, tímidas lá em cima. O céu tinha uma coloração alaranjada, o vento uivava fazendo as árvores balançarem.

- Não tem nada a temer! – disse a jovem a si mesma.  – Eu não devia ter passado a noite vendo aquele filme!

Ela não aceita estar com medo, mas mesmo assim a aflição estava estampada em sua face branca. Engolindo a seco, ela tentava não pensar no filme, mas este vagava em sua mente, as cenas iam surgindo nítidas.

“A menina curiosa sobe ao sótão, pequenas vozes pareciam chamá-la naquele cômodo. Não tenho medo, não há nada no escuro, a voz dizia em meio ao sussurro. O cheiro podre de velho infectava o ar, as escadas rangiam conforme ela ia subindo"

- Olá. – dizia a menina com sua voz doce. – Tem alguém ai?

Zumbidos abafados eram ouvidos, lá no sótão a escuridão predominava, sem vida, negra e pouco convidativa.

- Tem alguém ai? – ela tornou a repetir, desta vez ouviu seu próprio eco soar na parede.

A menina podia sentir algo soprando lá dentro, uivando baixinho. Por mais que olhasse, só o escuro ela enxergava, mesmo que tivesse uma janela, ela poderia estar escondida atrás de uma cortina.

- Venha brincar conosco...

A menina se assustou, as palavras pareciam ter sido sussurradas em seu ouvido.

- Não... Tenha... Medo... Do... Escuro... – tornou a voz a dizer em meio a uma risada...”

A jovem levou a mão ao coração, aquilo era apenas um filme bobo, não tinha nada o que temer!

Mas qual foi sua surpresa ao sentir uma mão encostar-se a seu ombro.

- Você esta...

A pessoa nem ao menos pode terminar de dizer sua frase, a jovem já a recebeu com um soco.

- Esta louca? – perguntou o rapaz caído no chão.

- Ah, Ichigo! – exclama a moça. – Você me assustou!

- Por isso precisava me bater? – com o nariz sangrando o rapaz tenta inutilmente apartar o sangue com a mão.

- Toma! – entregando um lenço ao jovem, a moça sente seu rosto queimar de vergonha.

- Estava lembrando-se daquele filme não é?

Limpando o machucado, Ichigo se levanta encarando a jovem, seus olhos penetravam naqueles orbes violetas, deixando sua dona ainda mais constrangida.

- Claro que não!

Suspirando, o rapaz compreende que ela jamais iria admitir estar com medo.

- Era apenas um filme Rukia. Não existe nada daquilo, você como shinigami deveria saber disso mais do que eu!

A morena não podia aceitar tais palavras, bufando, ela o ignora, voltando a caminhar. O rapaz de madeixas alaranjadas a acompanha, afinal iriam para a mesma rua, para a mesma casa.

Ao chegarem, Rukia sobe as escadas em direção ao quarto, nervosa por conta do ruivo, ela se tranca em seu quanto, no armário do próprio rapaz.

- Rukia! – grita o jovem  ao bater na porta do móvel. - Você é engraçada sabia! Você me bate, me faz sangrar e ainda fica brava! Era eu que deveria estar sem falar com você!

Sem resposta, Ichigo optar por deixá-la sozinha, talvez assim a pequena se acalmasse e o desculpasse, sabia lá do que.

A noite se apossará depressa, o azul tornou-se negro, as corujas piavam celebrando o nascer da escuridão e o vento brindava sua companhia, uivando entre as montanhas.

“– Venha... Brinque conosco...

A menina estava paralisada, o medo tomava conta do seu corpo, ela não deixava de encarar a escuridão em sua frente. Um passo, seus pés começavam a não obedecê-la, pouco a pouco, lá estava ela sendo engolida pelas trevas, mãos arranhavam sua pele macia.

Tentou olhar para o chão e algo a agarra puxando para baixo...”

A morena acordou assustada, em sua face o suor escorria, olhou em volta, estava dentro do armário, dormirá desde a hora que chegou.

- Ichigo? – Rukia chamou, mas nenhuma resposta foi obtida.

Lá fora, uma chuva começou, os raios iluminavam o quarto, seu barulho era estarrecedor.

Um rangido na janela podia ser ouvido, fino, lento, próximo...

- Ichigo! – a morena gritava. Estava com medo, o filme realmente a afetara, pequenas lágrimas iam brotando dos seus orbes violetas.

Repentinamente, a porta do quarto ia se abrindo, a maçaneta ia rodando, o rangido ia tomando conta.

- Rukia! – exclamou o jovem espantado.

A morena levantou o rosto, as lágrimas molharam sua face branca. Ela fixou seu olhar ao do rapaz, tinha que ter certeza que realmente era ele.

Ichigo segurava uma bandeja repleta de biscoitos com duas canecas de leite. Sabia que Rukia não comerá nada o dia inteiro e que provavelmente agora estaria com fome.

Ele sorriu ao observar a moça.

- A chuva acabou cortando a energia, estamos sem luz provisoriamente. Por que você não levanta daí e se senta na cama?

Com um pouco de dificuldade, a morena faz o que o ruivo pede, ela enxuga suas lágrimas e pensa o quanto foi boba ao ter medo.

Ichigo se aproxima, sentando ao lado da pequena shinigami, um sorriso brincalhão estava estampado na face do rapaz.

- Eu estou aqui Rukia! Nada pode chegar perto de você, se eu estiver ao seu lado!

Sentindo aquele terno abraço e as doces palavras do ruivo, Rukia se deixa levar por seu perfume silvestre de morango. Realmente mal algum se aproximaria dela agora.  





*O filme que Rukia viu, eu tive como base esse em Não tenha medo do escuro.

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