Assombrada - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Assombrada

Assombrada

14/07/2012


Título: Assombrada
Classificação: Livre
Gênero: Suspense
Original

Assombrada
por Sammy


O vento era gelado, arranhando sua pele de marfim. Com a noite escura, havia somente o olhar da Lua, que de uma hora a outra se escondia entre as nuvens. Ela se via andando por tijolos vermelhos, a luz fraca da lanterna mal conseguia acompanhá-la, volta e meia piscava, deixando o coração da jovem a mil. Sua respiração era ofegante, não tinha consciência de onde estava e nem como havia chegado ali, apenas sabia que seu dever era continuar andando. Seu sapato rangia a cada passo, olhos pareciam observá-la a todo o momento. Ela tentava engolir a saliva que parecia estar presa em sua garganta... Quanto mais andasse, maior era sua tensão... Algo estava se aproximando.

A jovem se via acuada, observou bem o local, mas só havia o breu, como se estivesse dentro da escuridão, como se a noite a sugasse. Mais dois passos e pôde sentir o hálito quente pousar em sua nuca num sussurro: “Venha pra mim”. Ela levou a mão ao peito, no exato lugar onde seu pingente se encontrava. Este deveria protegê-la, fazer com que a coragem viesse à tona, mas o medo era mais forte. Sem olhar para trás decidiu correr, a nevoa vinha fechando ao seu redor como se tentasse impedir sua fuga. Ela olhou a Lua, tão grande, majestosa e imponente. Sua coloração era amarelada em contraste ao negro do céu. Pediu para que o astro a guiasse, que sua luz fosse poderosa o bastante para afastar a ameaçava que agora ria em seu encalço.

Seu perseguidor se divertia, a caçava como um bicho preso num labirinto. Sabia os caminhos, conhecia os movimentos de sua presa e a cada soluço de medo dela, sentia aumentar sua sede de sangue. Ele precisava matá-la, provar o néctar vermelho que dava vida aquele ser imaculado. Todas às vezes ele a deixava escapar no ultimo instante, somente para elevar o prazer de apreciar o terror dela no próximo dia.

A jovem mal sentia suas pernas, o cansaço a dominava. A luz da lanterna ia de um lado para o outro em sua corrida, mas notou que as trevas já iam se alimentando da fosca claridade proporcionada. Nada podia fazer somente fugir poderia ser a solução. De repente um puxão, sua camisa foi rasgada com tamanha força que o impacto a jogou no chão. Ela não sentiu dor, o eco do seu grito morreu no silencio, o único som era a risada de seu caçador.

Ele a viu se levantar, um pé de cada vez, o desespero era visível, as lágrimas já escorriam por seu rosto e isso apenas serviu para dar o prazer que tanto ele necessitava. Era a hora do toque final. Pegou seu punhal de prata e o arremessou no ar com precisão e força o bastante para atingir em cheio o peito da jovem.

Nesse momento ela viu a lâmina atravessar sua pele enquanto gotas rubras caiam lentamente ao chão, onde em poucos instantes se formaria a uma poça viscosa e brilhante. A jovem se ajoelhou, devido ao ardor do punhal queimando sua carne. A pálpebra de seus olhos foi ficando pesada e o nítido azul em seus orbes ganhava um melancólico tom cinza: a Morte a encarava com impaciencia. Foi quando finalmente caiu em seu próprio sangue...

E acordou.

O quarto, o abajur, a árvore do lado de fora da janela, tudo era conhecido. Tinha voltado ao seu mundo. Sua irmã dormia tranqüilamente na cama ao lado, sem ao menos perceber o que de fato acontecia naquele cômodo. Era apenas um sonho, um pesadelo para ser exato. Um pesadelo que a afligia noite após noite, desde que ela matara o próprio namorado. Ele a perseguia, apenas a espera de vingança. Nem mesmo nos braços d’A Morte, ele a deixava em paz.

4 comentários:

  1. Caramba, Sammy! Amo histórias tensas assim e que depois nós descobrimos que tudo não passava de um sonho, hahaha
    Fiquei curiosa para saber o motivo da moça ter matado seu namorado. Poderíamos julgá-la, mas a última frase meio que sugeriu que ele já havia feito algo à ela quando estava vivo, né? Uuuuuh
    Você escreve muito bem! Estava tremendo aqui, :P

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  2. Nossa que texto legal Sammy.
    Adorei. A sua narrativa não me cansou nemn por um segundo e não parei de ler até terminar.
    Eu queria que você escrevesse um livro (:
    Beijos ^^
    http://blogdamazzei.blogspot.com.br/

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  3. Sammy meninaaaa... que conto foi este?? De arrepiar... uia... adorei, amei.. sei lá mais o que... rsrsrsrs... eu li umas duas vezes... amei demais, me vi desenhando a personagem, se vc me permitir eu gostaria muito de desenhar uma cena que me chamou muita a atenção... mais claro que com sua parmissão?
    Quanto tempo.. vergonha minha... perdoe-me de não ter vindo antes, mais é que as coisas aqui em casa apertaram, os afazeres aumentaram demais, os 14 gatos andam dando um certo trabalho, pois estou castrando as meninas, daí já viu né? Cuidados e mais cuidados, não querem tomar o remedio, semana que vem vou castrar 2 de uma só vez, daí o bicho pega... fora isso o Blogger andou me bloqueando... aff... fiqueis quase 3 semanas sem poder comentar em Blog nenhum... mais fora isso tudo certo.
    Se viu o Rock... ele é um amor... tão bonzinho e Sammy devemos sentir pena de uma pessoa assim, esse tipo de gente só podemos sentir pena, pois não sabem o que é a grandeza de amar e ser amado...♥
    Obrigada pelo carinho... Bjs

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  4. Nossa adoramos *-* *-*
    albigeyes.blogspot.com.br

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