Pequenos trechos, grandes livros #2 - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Pequenos trechos, grandes livros #2

Pequenos trechos, grandes livros #2

23/07/2012



Trechos de livros são fundamentais para atiçar nossa curiosidade, abrir nossas expectativas a aventuras e emoção novas. Um bom trecho desperta paixão, abre caminhos e nos faz flutuar pelas mágicas palavras do escritor. Pensando nisso, estou novamente com a postagem Pequenos trechos, grandes livros, leia o primeiro post: (www).

Para diferenciar, vou deixar também a sinopse dos livros e aquele belo trecho para despertar nossa ansiedade! 


Sinopse: Um pacto quebrado entre amigos e muita confusão, abrange o cenário apresentado. Gustavo e Daniel, amigos desde o ensino fundamental, prometem um ao outro que jamais se relacionariam com as irmãs, primas, namorada e afins um do outro, evitando que nada atinja a amizade entre eles. O que poderá acontecer quando o cupido resolver flechar sem olhar a direção? E mais… Até que ponto esta amizade poderia resistir, se… De repente… Ambos acabassem se interessando, sem saber um do outro, pela mesma garota? Beijos e Batom promete prender a atenção do princípio ao fim.




Beijos e Batom - Trecho: Gustavo suspirou fundo. Esse era o único defeito de Daniel: ficava o tempo todo protegendo Bia das brincadeiras. Era algo que também tinha começado há pouco tempo, pois se lembrava de que no começo Daniel juntava-se a ele nas brincadeiras contra Bia, rolava até uma competição entre ambos. 
Foi por essa mudança repentina de comportamento que Gustavo se sentiu obrigado a conversar seriamente com Daniel durante o Ano Novo, para pedir-lhe que não tentasse nada com Bia, pois se algo acontecesse, sabia que isso afetaria a amizade dos dois.
Lembrava-se daquela noite como se fosse ontem, já fazia mais de um mês, mas as memórias estavam marcadas profundamente em sua cabeça. Tinha sido um dia maluco, Gustavo ainda estava muito chateado com o fim de namoro com Larissa – que era melhor amiga de Bia – seus pais brigando na sala, Bia chateada por estar sozinha durante o feriado do Ano Novo e Daniel tentando fazer companhia para a menina, como um bom anfitrião – estavam na casa de veraneio dos pais de Daniel, que apareceram apenas no dia da virada. 
Notou que durante aquelas duas semanas que passaram de férias na praia, Bia e Daniel tinham ficado muito próximos, conversando sobre coisas que tinham em comum e fazendo tudo juntos. Com isso, Gustavo ficou de lado lamentando o término do namoro.
Gustavo sentia-se até meio mal quando se lembrava do momento em que disse para Daniel prometer que não tentaria nada com Bia e que terminou a frase com “confio em você, você é meu melhor amigo” de uma forma manipuladora. Julgava necessário, antes que as coisas saíssem do controle. Bia não levava ninguém a sério e com Daniel não seria diferente, se eles ficassem juntos, certamente perderia o melhor – e único – amigo na primeira briga de namoro dos dois. 
Não podia se dar ao luxo de perder o melhor amigo bem quando tinha perdido a namorada. Aliás, se não fosse por Daniel, Gustavo certamente passaria as férias de verão trancado em casa se escondendo no fundo do poço. "



Sinopse: Tudo o que Loiane desejava era encontrar uma forma de ser aceita pelo pai. Sabia que por causa de seus olhos amaldiçoados não encontrava pretendentes, justo quando o avanço da Igreja exigia herdeiros prósperos e fortes para manter a casa dos D’Nort no trono de Rúbia. Somente algo poderia reverter a magia – a própria vida…” Conflitos e intrigas políticas e religiosas misturam-se à magia e grandes revelações num cenário de incertezas, ânsia pelo poder e desespero.







A Princesa com Olhos de Gato - Trecho: Mesmo levando as mãos aos ouvidos as palavras de seu pai não paravam de ecoar em sua mente: “Seria melhor tê-la morta... morta...”.
Surpreendendo os guardas da porta, Loiane saiu correndo desnorteada. Não conseguia enxergar nada a sua frente, além do rosto de seu pai ditando as terríveis palavras. Só percebeu que estava chorando quando sentiu o gosto salgado das lágrimas em sua boca. Por fim, foi parar no jardim.
Ficou imóvel por alguns instantes, perdida em meio à paisagem familiar, e depois, caminhou rapidamente para o precipício de onde se tinha uma esplêndida visão do mar. Mas ela não conseguia ver o oceano lá embaixo, nem ouvir o grito das ondas se arrebentando contra o rochedo em seu cinzelar eterno.
Pareceu-lhe, por um segundo, ter encontrado a resposta para todos os seus problemas. Já não chorava mais. Sentiu o cheiro salgado invadir o seu ser enchendo o ar de promessas de paz e silêncio. Foi se aproximando perigosamente da borda.
— Opa, magrinha! Assim vai acabar voando com este vento! –
disse Abner puxando-a pelo braço e afastando-a da beirada. Atordoada, Loiane deixou-se levar docemente. Aos poucos foi recobrando a presença de espírito.
— Tire suas mãos de mim! – gritou, desvencilhando-se dos braços estranhos que a guiavam para a proteção do velho salgueiro. 
— Quem você pensa que é?
— Lamento muito, mas fiquei preocupado a vê-la tão próxima... – calou-se ao fitar os olhos de sua interlocutora. Por um instante lhe pareceu que algo estava fora do lugar, como se algum gênio brincalhão tivesse pegado uma bela jovem e trocado seus olhos humanos pelos de um gato. Imediatamente soube que estava diante da princesa e curvou-se educadamente. — Lamento o ocorrido, alteza. Eu não quis ser inconveniente.
Sentindo a raiva abrandar, Loiane esperou até que esta se extinguisse por completo. Tudo o que restou em seu peito foi uma enorme tristeza. Percebeu o que estivera prestes a fazer. Descobrir a existência de um padecer eterno como castigo pelo sacrilégio que quase cometera era algo mais do que poderia suportar. O que a preocupava realmente era a reação que seu pai teria se soubesse desse incidente.
Devia haver outra solução para seus problemas e ela via-se obrigada a encontrá-la.
— Quem é você afinal? – Indagou com alguma rispidez.
— Permita que eu me apresente. Abner Almodóvar Mouraber, aprendiz de feitiçaria, à sua disposição. "




Sinopse: Clarisse, uma jovem sem maldade, aos 16 anos se apaixona profunda e prematuramente por Marcelo, um moço da cidade, que por puro capricho decide seduzi-la. Eduardo, um psiquiatra angustiado por conflitos profissionais e conjugais, será uma peça importante no desenlace da história de Clarisse mesmo sem conhecê-la. Atormentado por visões e sonhos onde vê uma jovem com um bebê, tentando se jogar de uma ponte. Acredita conseguir mudar o destino desta jovem, empreendendo uma jornada em busca de informações sobre sua real existência. Ao mesmo tempo em que tenta dar sentido à sua própria vida. Até que ponto a história de Clarisse é real para Eduardo? Conseguirá ele salvá-la de seu destino ou tudo não passa de um simples pesadelo.


Apanhando Amoras - Trecho: Clarisse havia completado dezesseis anos quando conheceu Marcelo, e foi então que começou seu martírio. Era um domingo. O sol tímido da tarde iluminava a pequena vila; a brisa mansa soprava como sempre. A tarde estava festiva, quase todos os moradores estavam à beira do campo de futebol. Era o que faziam todas as tardes de domingo. Não havia muito que fazer, ou se assistia televisão, ou ia jogar. O campo ficava bem no centro da vila, ao lado da bem cuidada igrejinha. Era ali que se comemoravam todas as festividades.
Neste domingo, ela o conheceu. A princípio, nem queria ir ao campo. Sentia-se indisposta, com uma porção de coisas passando pela sua cabeça. Naquela tarde, estava confusa e queria ficar sozinha. Alguma coisa lhe dizia para não ir. Preferia ficar em casa. Queria terminar de ler Sublime Amor, livro que pegou na biblioteca da escola. Desde que começou a lê-lo, sentia-se envolvida por um sentimento mágico, que tocava fundo o seu coração. Era uma sonhadora, e ler o livro estava fazendo com que todas as fantasias do eterno e pungente amor desabrochassem nela. Fechava os olhos e se via como Angélica, heroína do romance, jurando amor ao seu amado Rodrigo. Esse clima romântico a envolvia, e ela viajava nas nuvens, sonhando também com seu príncipe encantado, tal qual o da história que lia. Ao saborear a leitura, sentia-se como se entrasse naquele universo, fundindo-se nas páginas e nas tramas desse amor. Durante horas, viajava num mundo que não conhecia ainda, a não ser quando se colocava no papel de Angélica. E então, ela experimentava a sensação do amor e do desejo. 
Mas, com a insistência das amigas foi ao campo e, logo que chegou, viu Marcelo. Pela primeira vez, sentiu um calafrio envolvendo-a por inteiro e uma ansiedade que não havia ainda vivenciado, apenas imaginado. Ele estava em campo, jogando uma partida de futebol. Num determinado momento, numa dividida com o adversário, caiu bem próximo de onde ela estava e a olhou de uma forma diferente, o que a perturbou. Clarisse sentiu um rubor subindo pela face e... Era ele, seu príncipe. O rosto ardia, e ela não conseguia mais desviar os olhos dele. Marcelo tinha um porte atlético, moreno e forte. Um olhar cativante e misterioso, certa desenvoltura no andar, no correr e até mesmo no falar. Vez ou outra, ele sorria, brincava com os companheiros, e isso a encantava. Não tinha dúvidas, era ele. Assim como Angélica tinha o seu príncipe Rodrigo, ela acabava de encontrar também o seu príncipe, Marcelo.
Clarisse tinha corpo de mulher. Um metro e setenta, cinquenta e cinco quilos; pele branca; cabelos loiros, encaracolados; dentes alinhados; um profundo olhar azul e um sorriso franco e sedutor. Era, de fato, possuidora de uma beleza rude, primitiva, porém feminina e de uma meiguice sem fim. Ela corava quando ele a olhava. Era a primeira vez que alguém a olhava assim. No inicio, ficou confusa.
Era amor a primeira vista. Apaixonara-se perdidamente por aquele rapaz. "



Sinopse: Eva, estranha e antissocial, descobre grandes tragédias intimas,  desvendando os mistérios sobre seu amor clandestino e o verdadeiro valor da amizade pelos amigos que lhe ensinaram a viver. Ela guarda, a sete chaves, um segredo que poderá mudar, não somente a sua vida, mas a vida de todos a sua volta. O destino das pessoas que ama, está em suas mãos.









O Segredo de Eva - Trecho: — Qual foi a sensação de terminá-lo? – referiu-se ao livro que acabara de escrever e estava em minhas mãos, durante a viagem em seu carro.
Ele não parece não se dar conta de que esteve presente em todas as linhas. Lembrei-me dos momentos durante a escrita, na cama, uma enchente de ideias repensadas, formuladas com o afã do reconhecimento... A fumegante tigela do chá aguardando por mãos afoitas... Troco o chá e o resvalo de pão pelo teclado, preciso reencontrar você, em algum lugar. Quero mais e mais... Isso não acaba nunca?
— Quando se tem a inspiração, a sensação é neutralizada, pois sei que não o escrevi com minha absoluta habilidade. 
Eu queria lhe dizer que ele era a razão, apesar dele saber disso e se fazer de desentendido.
— Você tem cara de escritora.
Ele dizia isso quando eu colocava os óculos que me facilitavam a visão; ele sempre dissera a mesma frase e se esquecera disso ou talvez queira me provocar a ponto de me ver tão furiosa com o desejo de pular em seu pescoço e lhe roubar um beijo clandestino.
Fui ao seu enterro dias atrás, ao ver em páginas a anunciação de que não é aceito, nem tão pouco, bem vindo pelo portal adentro das edições. A única pessoa que quer saber de você sou eu. Eu que não existo a não ser para construir um mundo que faça você respirar, por entre as minhas palavras. O sol não nascerá para os poetas... Mataram o seu anjo da guarda e o seu sol late como um cão, no quintal interior.
— Como esquece tão facilmente o que diz... Não consigo acreditar nisso...
— O que tenho esquecido? – perguntei perplexa.
— Quer mesmo que eu diga? – queria xingá-lo de idiota neste momento. Ele se esqueceu de ficar, de me amar e ser feliz ao meu lado.
— Esqueci de lhe dizer que estarmos juntos envolve riscos... Esquecemos de ser sensatos; a paixão torna as pessoas irresponsáveis. 
— É assim que você denomina uma pessoa que se fragiliza diante do que sente? – queria persuadi-lo.
Ele diminuiu a velocidade.
— Você sabe o que está acontecendo?
Ele estacionou o carro.
— Sim. – respondi.
Ele olhou profundamente nos meus olhos.
— Me diz, então...
Sua boca fez expressão de me desejar.
— Não conseguimos nos afastar um do outro. – eu disse.
Entreguei-me a ele diante de carros que iam e vinham em alta velocidade. O céu aberto nos aquecia através do vidro do carro que via nosso amor acontecendo de forma avassaladora. O livro que estava em minhas mãos e que continha cada letra vinda de lágrimas durante a sua espera, caiu por entre as minhas pernas e esparramou-se no assoalho do carro. O leitor se lembrará de que cada palavra inspirada na sensação que é tê-lo em meus braços. "



Sinopse: Portugal, 1673. Duas mulheres celtas e um bebê recém-nascido enfrentam a perseguição da Igreja contra hereges pagãos. Obrigadas a deixar sua aldeia, ajudadas por um jovem cristão, partem em busca de um lugar onde possam cultuar seus deuses livremente. Em meio a sua fuga descobrem que a Grande Mãe tem uma missão para eles e que os levará a lugares inesperados e a uma desconhecida Terra Nova, que chamam de Brasil...








Paganus - Trecho: — Meus meninos… vinde despedir-vos de vossa mãe. – disse pegando­-os pelas mãos. 
Algumas senhoras carpideiras rezavam e choravam ao lado da cama de Eugênia e assim continuaram quando os dois meninos entraram. 
Diogo logo viu a figura pálida e imóvel da mãe sobre a cama. Ela estava linda, como sempre, mas seu semblante era endurecido, rígido… Ele pensou que talvez ela fosse mesmo um anjo. Aproximou-se da cama sem dizer nada, sabia que sua mãe não o estaria ouvindo, mas talvez visse, lá do céu, as lágrimas que ele derramava. Ele tocou no rosto dela e puxou a mão repentinamente. Era muito, muito frio… 
Douglas olhava para a mãe sobre a cama e sentia seu estômago revirar, porque ela fizera aquilo? Ela não tinha esse direito! Quem o tocaria com tanto carinho agora? Quem cantaria aquelas canções com a voz melodiosa ao lado da cama? Ela não tinha esse direito! Era a culpada! E agora, por culpa dela, as lágrimas desciam pelo seu rosto! Se seu pai visse aquilo o chamaria de fraco! Ele não era um fraco como seu irmão que, agora, solu­çava enquanto chorava ao lado da cama. “Rapariga”! Ele pensou dirigindo sua raiva para o irmão que todos diziam ser igual a ele. Douglas trincou os dentes e puxou o ar com força, tentando fazer as lágrimas voltarem para dentro de seus olhos. “Eu não sou um fraco!”, repetiu para si mesmo. 
A presença dos meninos ali foi interrompida pelo tio que avisava que a cerimônia de sepultamento iria começar. 
Todo o ritual pareceu demorar uma eternidade. Diogo observava o pai, que assumira uma feição maligna, que ele nunca vira em seu rosto. Seu pai sempre fora um homem rígido, sério, mas diante da mulher deixava aparecer o sorriso. Diogo temia que nunca mais conseguisse ver o pai sorrindo… 
Assim como o pai, Douglas assumira um olhar invocado e perdido, apertava as mãos nervosamente e assim que a cerimônia terminou, ele saiu correndo em direção à oficina dos empregados. Diogo seguiu o irmão, estava curioso com sua reação, achava que ele iria, finalmente, soltar o choro. "




8 comentários:

  1. Que legais os trechos !
    O que eu mais gostei foi o Apanhando Amoras, já tinha ouvido falar do livro mas o trecho me fez querer ler hahaha
    Muito bacana, também adoro postar trechos de livros.
    Beijos!
    http://www.expressodenarnia.com

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  2. Adorei a ideia dos trechos grandes, dá uma visão do que esperar dos livros, né!?

    www.leitorait.com

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  3. Aiiii, Editora Modo arrasando na sua postagem, sou louca pelos livros deles, já li três e todos eles foram ótimos, sempre com histórias lindas e diagramações mais lindas ainda!!!!

    Vanessa - Balaio

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  4. Ah, trechos incriveis, dá ate aquela vontade de ler todos *-*


    http://vitaminadepimenta.blogspot.com.br/

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  5. Que espetáculo!!!
    Fora as sinopses, as capas estão de encher os olhos!!!!

    Lindas demais!

    Adorei!

    Bjkas


    Alessandra Tapias
    http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  6. Oiie!
    Adorei os trechos :)
    O livro Apanhando Amoras, deve ser muito bom, sempre ouço criticas ótimas sobre ele.
    Beijos
    Bruna-Livros de Cabeceira

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  7. Aí que chiquee, o melhor texto foi o da princesa com o olho de gato, achei incrível a história, imagine meu paia falando "Eu preferia ele morto.. morto.. morto!" kkkkk;..Seria horrível! ADOREI!..(^^)

    Acesso Permitido.

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  8. Oi Sammy :)

    Gostei muito dos trechos que você selecionou!
    Eu estou louca para ler "Beijos & Batom"!

    Adorei o post.
    Beijocas.
    http://artesaliteraria.blogspot.com.br

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