Entrevista com Lupe Vasconcelos - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Entrevista com Lupe Vasconcelos

Entrevista com Lupe Vasconcelos

09/03/2014


A ilustradora Lupe Vasconcelos, gentilmente cedeu uma entrevista exclusiva para o blog! Para quem não conhece, a Lupe é ilustrou o livro Zon - O rei do nada, que em breve será resenhado. Vamos conhecer um pouco sobre a Lupe e seu trabalho? Espero que gostem da entrevista! 



Alguns das Ilustrações de Lupe Vasconcelos para Zon - O Rei do Nada



Entrevista com Lupe Vasconcelos


Da Imaginação à Escrita: Primeiramente, quero agradecer a você Lupe por conceder essa entrevista. Para começar, fale um pouco sobre você.

Lupe: Fico feliz pela oportunidade de poder divulgar este trabalho! Bom, eu nasci e passei a maior parte da minha vida em Goiânia. Estudei Artes Visuais e fiz mestrado em Cultura Visual na UFG, trabalhei como designer gráfica e tatuadora antes de me dedicar integralmente à ilustração e aos meus trabalho de arte pessoais. Basicamente sou uma pessoa reservada, e por isso passo a maior parte do meu tempo em meu estúdio, que fica em casa. Atualmente moro em Teresópolis(RJ), que, por ser uma cidade menor e mais arborizada, propicia um estilo de vida mais adequado ao meu ritmo. 

Da Imaginação à Escrita: Conte-nos um pouco sobre suas ilustrações para o livro Zon – O rei do nada.

Lupe: As ilustrações que fiz para o Zon são minha interpretação dos contos em forma de imagens. Cada uma delas foi inspirada por trechos ou aspectos dos contos. Foi um projeto muito interessante e desafiador, pois eu nunca havia feito um livro tão extenso. Eu diria que foi um dos meus preferidos até o momento, um trabalho prazeroso e estimulante.

Da Imaginação à Escrita: Como foi o processo de criação das ilustrações de Zon – O rei do nada?

Lupe: Após ler todos os contos e anotar / rascunhar as primeiras impressões, fiz estudos simples de cada uma das ilustrações, até encontrar a ideia que mais me agradava. Depois de fazer o desenho final a lápis no papel, parti para a finalização. Nesse trabalho, utilizei tinta nanquim, aplicada com pincel e pena. Terminadas as ilustrações, digitalizei uma a uma e ajustei detalhes como brilho e contraste, e voilà! 

Da Imaginação à Escrita: Você teve alguma dificuldade para seguir a carreira de ilustradora?

Lupe: Um dos maiores obstáculos para qualquer ilustrador que esteja começando é sem dúvida conseguir contatos nas editoras, e comigo não foi diferente. É preciso uma certa dose de perseverança, com certeza!

Da Imaginação à Escrita: Você tem alguma fonte de inspiração? Se sim, qual é?

Lupe: Várias coisas na arte e no dia-a-dia me inspiram, mas eu diria que a música está entre as mais importantes. Escolho a trilha sonora para cada trabalho de acordo com o ‘clima’, o que ajuda a me concentrar no que estou fazendo.

Da Imaginação à Escrita: Quando você decidiu que era a hora de seguir carreira como ilustradora?

Lupe: Bom, me lembro de, após minha primeira experiência em tempo integral como ilustradora - trabalhei em um jornal diário de Goiânia durante pouco mais de um ano - percebi que era aquilo mesmo que queria fazer. 

Da Imaginação à Escrita: Quais são seus autores favoritos? Tem algum livro, que você considera especial e que já leu?

Lupe: Essa é uma pergunta difícil! São muitos, e sempre me esqueço de vários, mas vou tentar: Clarice Lispector, Gabriel Garcia Marquez, Simone de Beauvoir, Sylvia Plath, Virginia Wolf, Jorge Luis Borges, Baudelaire, Alan Moore, Neil Gaiman… também gosto muito dos autores clássicos de contos de fadas, como os Irmãos Grimm e Hans Christian Andersen. Um livro que considero especial (e na verdade não é de nenhum desses autores!) é o ‘Sede de Viver’, de Irving Stone, uma biografia ficcionalizada da vida do pintor holandês Van Gogh. 

Da Imaginação à Escrita: Além de Zon – O rei do nada, você já ilustrou algum outro livro? Se sim, pode nos contar um pouco sobre?

Lupe: Ilustrei alguns livros infanto-juvenis antes do Zon, são trabalhos que gostei bastante de fazer, mas são em estilo bastante diverso do que tenho feito nos últimos anos. Eu diria que é um dos ramos mais interessantes para se trabalhar dentro da ilustração. Também fiz recentemente duas HQ bem diferentes: uma para a coletânea Hipnograma, e outra para o livro MSP Novos 50.

Da Imaginação à Escrita: Qual a sua opinião a respeito dos blogs literários? Acha que eles são um incentivo à literatura?

Lupe: Blogs literários são um ótimo local de encontro para aqueles que se interessam por literatura, incentivando e atiçando a curiosidade por novas leituras e a troca de ideias. Acho que são essenciais!

Da Imaginação à Escrita: Para aqueles que desejam seguir o sonho de serem ilustradores, quais são suas dicas?

Lupe: O principal é estar sempre se aprimorando e buscando aprender mais. Não apenas no sentido técnico, mas especialmente no das ideias. Desenvolver o senso crítico e claro, ter bastante persistência.

Da Imaginação à Escrita: Já perguntei sobre seus escritores favoritos, mas gostaria de saber também, quais são os seus artistas, desenhistas, ou ilustradores favoritos?

Lupe: Outra difícil! Citarei alguns que me vêm à mente agora: Zdzislaw Beksinski, Gustave Moreau, Cameron, Austin Osman Spare, Arthur Clarke, Gustav Klimt, Sergio Toppi, Arthur Rackham, Leonor Fini, Norman Lindsey, Yoshitaka Amano, Rose O’Neill, Moebius, Jaime Hernandez, Suehiro Maruo…

Da Imaginação à Escrita: Para finalizar, quero agradecer sua participação nessa entrevista, foi um prazer entrevista-la! Você tem alguma mensagem final aos leitores?        

Lupe: O prazer foi todo meu! Gostaria apenas de dizer que trabalhar com ilustração é um grande prazer, e exige não apenas conhecimento técnico, mas bagagem cultural. O ilustrador que lê muito (e bem) tem mais chances de produzir um trabalho conceitualmente mais rico, e, consequentemente, mais interessante.

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Esta postagem conta pontos para o Top Comentarista de Março 2014. Se você esta participando, não deixe de comentar para garantir seus pontos e concorrer ao livro Enders.

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