Entrevista com o autor: Andrei Simões - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Entrevista com o autor: Andrei Simões

Entrevista com o autor: Andrei Simões

03/03/2014


O autor Andrei Simões, gentilmente concedeu uma entrevista para o blog, que vocês vão conhecer em primeira mão! O Andrei escreveu o livro Zon - O rei do Nada, ilustrado pela Lupe Vasconcelos e publicado pela editora Empíreo. Espero que gostem da entrevista:



Entrevista com Andrei Simões


Da Imaginação à Escrita: Primeiramente, quero agradecer a você Andrei por conceder essa entrevista. Para começar, fale um pouco sobre você.

Andrei Simões: Eu que agradeço. Este tipo de divulgação é o que impulsiona o mercado literário independente e sou muito grato por este espaço. Sou escritor. Já fiz experimentos com música. Sou biólogo, professor universitário e analista ambiental. 

Da Imaginação à Escrita: Conte-nos um pouco sobre seu livro Zon – O rei do nada.

Andrei Simões: Zon é sobre alguém que descobre ser uma personagem de livro e em vez de se conformar com sua condição não-existencial, embarca em uma jornada de auto-descobrimento, parasitando as mentes dos leitores do livro, o que é na verdade uma grande metáfora sobre criação e criador, deuses e homens. Mas é essencialmente um livro de entretenimento, porque sempre acreditei que filosofia e entretenimento podem andar juntos. Não é preciso ser chato para ser profundo.

Da Imaginação à Escrita: Como foi o processo de criação de seu livro?

Andrei Simões: Escrevi a primeira versão desde livro em 2000, desde então, de maneira obsessiva, reescrevia-o, pelo menos uma vez a cada dois anos. Então foi um processo longo e cansativo. Quanto ao meu processo de escrita em si, é simplesmente fazer o que faço quando produzo ciência ou monto uma aula para ministrar, é basicamente sentar e produzir. Não acredito em inspiração, eu acredito em transpiração.

Da Imaginação à Escrita: Você teve alguma dificuldade para publicar seus livros?

Andrei Simões: Com o primeiro livro, tive alguma sorte, em 2005. Consegui pular certas etapas burocráticas e o publiquei rapidamente. Com o Zon não foi muito diferente, pois publiquei por uma editora independente, a Empíreo e por ser independente não só mercadologicamente, mas espiritualmente, é uma editora que acreditou na minha obra e conseguiu coloca-la no mercado com maior qualidade e rapidez que as editoras corporativistas. Então creio que eu tenha sorte.

Da Imaginação à Escrita: Você tem alguma fonte de inspiração? Se sim, qual é?

Andrei Simões: Tudo que existe pode inspirar. E as lacunas entre as existências, também. Mas algumas fontes nutrem mais. Para mim, aquelas que tem sua nascente onde não há luz.

Da Imaginação à Escrita: Quando você decidiu que era a hora de escrever um livro?

Andrei Simões: Aos treze escrevi o primeiro, de poesias. Com os próximos quatro também foi assim. Zon, em 2000, foi o primeiro em prosa. Escrevi outros, mas sempre retornava a ele. Eu decido escrever um livro quando uma ideia me assusta e me desafia o suficiente a ponto de tirar meu sono e me angustiar, então escrevo pra me livrar da sensação, para poder respirar novamente.

Da Imaginação à Escrita: Como está sendo para você a repercussão de Zon – O rei do nada?

Andrei Simões: Zon está conseguindo parasitar as mentes alheias, depois de tanto tempo preso a mim e sinto-me realizado por isso. Por ter entregue uma obra em coautoria com uma das melhores ilustradoras do pais, Lupe Vasconcelos, um livro com 33 ilustrações e mais 33 intervenções visuais e com uma editoração da mais alta qualidade. Sem dúvida tenho muito orgulho desta obra.

Da Imaginação à Escrita: Você tem alguma outra história para um novo livro? Se sim, poderia contar um pouco sobre ela?

Andrei Simões: Existem projetos com alguns rascunhos, outros com algumas dezenas de páginas, mas normalmente não retorno a eles. O que faço é sempre começar algo. Porém, meu editor está me fazendo pensar em uma obra apenas, o que considero ótimo. É algo que envolve palhaços, criaturas antigas, amor e oceanos de sangue. Vai ser divertido.

Da Imaginação à Escrita: Quais são seus autores favoritos? Tem algum livro, que você considera especial e que já leu?

Andrei Simões: Guy de Maupassant, Kafka, Clive Barker, Lovecraft, Poe. Alguns livros são especiais porque além da qualidade, também são álbuns emocionais de uma época. Do Pequeno Príncipe, passando por Capitães da areia, até o último que li, muitos realmente foram fundamentais pra minha formação como escritor e ser humano.

Da Imaginação à Escrita: Além de Zon – O rei do nada, você já escreveu algum outro livro? Se sim, pode nos contar um pouco sobre ele?

Andrei Simões: Tenho cinco livros de poesia, um de pequenos ensaios e três em prosa. O primeiro que publiquei em papel, em 2005, chama-se Putrefação e é uma novela ultrarrealista sobre um homem que morre, mas permanece com sua consciência atrelada ao seu corpo, sentindo todas as dores físicas e mentais do processo da putrefação, enquanto lembra de sua vida amorosa. É basicamente uma história sobre paixão e outras doenças do homem e é claro, com muitas vísceras.

Da Imaginação à Escrita: Qual a sua opinião a respeito dos blogs literários? Acha que eles são um incentivo à literatura?

Andrei Simões: Acho. É um bandeira. É alguém que se levanta e tenta ir além da mídia corporativista, dos interesses apenas das grandes editoras. Não acho que as grandes editoras sejam necessariamente inimigas, mas as editoras independentes precisam do seu espaço, do frescor de novas obras e novos artistas que não estejam presos aos estilos considerados comercialmente viáveis. Literatura pode ser qualquer coisa. E os blogs são excelentes incentivadores da arte independente do país.

Da Imaginação à Escrita: Para aqueles que desejam seguir o sonho de serem escritores, quais são suas dicas?

Andrei Simões: Para cada palavra que você quiser escrever, leia mil. Para cada palavra que você escrever, escreva mais dez mil. Escrever é ler e praticar. O resto é desculpa de artista preguiçoso.

Da Imaginação à Escrita: A respeito da literatura nacional, você acha que a aceitação do público em relação a livros nacionais é maior ou menor hoje em dia?

Andrei Simões: É maior, pelo menos no quesito onde me enquadro, na fantasia. Graças a artistas que batalharam para fazer este gênero encontrar seu espaço, dentro da realidade brasileira. Ainda estamos engatinhando, mas existe sim um interesse pelo nacional. O leitor quer ler um bom livro, não importa onde tenha nascido o escritor. 

Da Imaginação à Escrita: A respeito dos livros digitais, o e-books, qual a sua opinião?

Andrei Simões: Acho necessários, mas assim como a tv não matou a rádio, os livros digitais encontrarão seu espaço e utilidade e os de papel continuarão a ser fundamentais, como sempre foram.

Da Imaginação à Escrita: Para finalizar, quero agradecer sua participação nessa entrevista, foi um prazer entrevista-lo! Você tem alguma mensagem final aos leitores?       

Andrei Simões: Agradeço a todos por prestarem alguns minutos de seus tempos para lerem minhas palavras. Leiam bem, leiam muito. Obrigado.


Sinopse

Como seria reinar sobre absolutamente nada? Em Zon – O rei do nada, os leitores entrarão em contato com uma narrativa profunda e intensa, na qual conhecerão um personagem que precisa invadir mentes e consciências para continuar vivendo. E ele só ficará totalmente satisfeito se, no fim, destruir as crenças daqueles que domina. Dessa forma, abre espaço para que ele mesmo seja o substituto e se torne a grande divindade do universo. Porém, quando descobre que outras forças também trabalham em sua mente, Zon se vê preso num paradoxo, e já não tem certeza de que conseguirá dominar a realidade com tanta rapidez. Ao mesmo tempo em que constrói novas crenças, destrói sua própria existência. Quem estaria por trás desse controle? Conseguirá Zon permanecer vivo e são? Zon – O rei do nada é uma aventura fantástica onde verdade e mentira, realidade e ficção se misturam, fazendo com que até o mais calmo leitor estremeça diante das profundas descobertas.

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Esta postagem conta pontos para o Top Comentarista de Março 2014. Se você esta participando, não deixe de comentar para garantir seus pontos e concorrer ao livro Enders.

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