Resenha: Um Amor de Cinema - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Resenha: Um Amor de Cinema

Resenha: Um Amor de Cinema

16/12/2014

Título: Um Amor de Cinema
Subtítulo: Uma lista. Dois caras. Dez filmes.
Edição: 1
ISBN:  9788576863342
Autores: Victoria Van Tiem
Editora: Verus
Ano: 2014
Páginas: 294
Skoob
Avaliação: 
Onde Comprar: Amazon (E-book)
Sinopse: Neste irresistível romance, Kenzi Shaw, uma designer fanática por filmes, é lançada nas águas turbulentas do amor — ao estilo de Hollywood — quando seu lindo ex-namorado lhe propõe uma série de desafios relacionados a comédias românticas para reconquistar seu coração. Que garota não gostaria de vivenciar a cena das compras de Uma linda mulher? É o desafio número dois da lista. Ou tentar fazer os passos de dança de Dirty dancing? É o número cinco. Uma lista, dez momentos românticos de filmes e várias aventuras depois, Kenzi se pergunta: ela deve se casar com o homem que sua família adora ou arriscar tudo por um amor de cinema? 
Verdade seja dita: sempre gostei de clichês. Na verdade, sempre amei clichês, principalmente quando em romances, e ao contrário do que algumas pessoas pensam, achando que os clichês podem ser ruins, eu encaro por outro ângulo. Clichê é clichê, uma base, e o que conta de verdade é como o autor desenvolve esse enredo. Em Um Amor de Cinema, temos uma típica história clichê que é diretamente moldada e desenvolvida por entre enredos de filmes de comédia romântica, e contando com uma personagem ativa, algumas vezes impulsiva, e um tanto quanto cômica, temos uma história divertida que promete entreter e envolver o leitor do início ao fim, entre risos e suspiros.


Kensington Shaw, ou apenas Kenzi, é uma mulher com seus vinte e nove anos prestes a subir no altar, recém-pedida em casamento por seu agora noivo, Bradley, e sonha que este seja um dos momentos mais lindos da sua vida, desde a preparação até a própria cerimônia. No entanto, a família da moça nunca pareceu lhe dar muita atenção, e agora que sua cunhada anunciou estar grávida, o foco fugiu de Kenzi antes mesmo de alcançá-la. Como se não bastasse, a agência de design onde trabalha está passando por problemas financeiros, e Kenzi é a encarregada de administrar um novo e grande projeto capaz de ajudar nas finanças da agência. Ela só não contava que o cliente seria ninguém menos que o seu ex-namorado da faculdade, que a abandonou há alguns anos. A instabilidade de seu noivado e o reaparecimento de Shane irão colocá-la à prova em relação ao que ela realmente quer, mas, principalmente, o que a fará feliz de verdade. 

"[…] Eu não fiz isso por ele. É parte do meu plano. O plano subir-na-torre-e-resgatar-aquela-pessoa.
E quem estou resgatando?
Eu mesma.
A garota com tinta no cabelo que ainda acredita em contos de fadas, só que esta é a versão adulta. Porque talvez não exista um feliz para sempre com alguém; talvez tenha a ver com ser feliz consigo mesma."

Como já citei, Um Amor de Cinema é desenvolvido em uma trama clichê, com direito a um triângulo amoroso e uma protagonista com a qual às vezes temos vontade de gritar, mas, não se atendo apenas a isso, o livro também conta com toda uma referência cinematográfica de comédias românticas - as preferidas da Kenzi - e uma narrativa leve e fluida, que envolve o leitor aos poucos. Alguns capítulos são nomeados de forma a fazer referência a algumas comédias românticas adoradas pela protagonista, o que nos aproxima ainda mais da leitura, e sob o pretexto de Shane para desenvolverem o conceito de seu projeto, seguindo a interpretação de determinadas cenas entre os dez filmes de romance da lista proposta, a diversão é garantida. 

Mas, antes de mais nada, Kenzi já tem alguém, o Bradley, e cujo noivado já está de pé, no entanto, temos um relacionamento conturbado. No início da história, eu até simpatizei um pouco com o Bradley; era um bom homem, trabalhador e gentil, e Kenzi idealiza todo o casamento deles e uma futura família. Mas a verdade é que a relação dos dois não tem a menor química, e eu realmente não entendi como eles podiam estar noivos, mais agindo como se fossem amigos ou simples colegas de trabalho. Enquanto Kenzi fantasiava sobre o sonho que seria sua cerimônia de casamento, ele falava do evento de uma forma que soava, ham, um tanto quanto banal, ou como se não fosse algo tão importante assim, e também não era muito ligado aos receios e inseguranças da noiva, uma vez que ele era aceito pela família dela, que por sua vez, curiosamente, não parecia ser tanto assim. Essa monotonia, felizmente, foi recompensada com a presença de Shane, que além de ser um personagem encantador, definitivamente compreende os anseios e medos da Kenzi, pois sabe bem do que a família dela é capaz e, inclusive, quer resgatar, por meio do projeto de seu restaurante, a garota sonhadora e dedicada a pintura que ela costumava ser. Apesar dos erros cometidos no passado, Shane se mostrou mais maduro e dedicado, e uma vez que ele se reaproxima de Kenzi, é impossível negar que eles, sim, tem não apenas química, mas sentimento.

Mas, mais que isso, um dos pontos altos da leitura de Um Amor de Cinema é o enfoque sutil dado ao, digamos, autoconhecimento da protagonista, seu real amadurecimento. Desde o primeiro capítulo nos deparamos com a realidade de que ela é um tanto quanto deixada de lado pelos pais, principalmente pela mãe, que, inclusive, tenta decidir a vida da família baseada no conceito do que é mais apresentável, e não naquilo que a fará realmente feliz, e percebemos o quão, por causa disso, Kenzi é mais focada em agradar os outros do que a si mesma. Nesse momento, nos deparamos com os anseios e inseguranças da personagem que encontra-se dividida entre ser quem ela é de verdade e o que a família quer. Passamos a acompanhar, então, sua desenvoltura no decorrer da trama, e aos poucos, Kenzi descobrirá que sua felicidade é o que realmente importa.

"Não importa se a comédia romântica segue um curso previsível; reagimos porque ela é baseada na verdade. Na magia."

Os outros personagens da história também cumpriram muito bem com seus respectivos papéis, apesar de que, confesso, demorei a me situar e simpatizar com alguns deles, mas uma vez que eles vão se apresentando melhor no decorrer da história, muitos conseguem nos cativar, como Ellie, Ren e a tia Greta; as duas primeiras começaram devagar, mas logo mais se mostraram ótimas personagens, e a tia de Kenzi nem se fala; desde o primeiro momento cativando o leitor por ser uma tia tão mais próxima da sobrinha e a única na família que a entende de verdade. Tonya, por outro lado, surpreende de tão duas caras que é. Se de início eu já tinha um pé atrás com relação a ela, depois só quis manter distância dela, de tão falsa e intrometida. Ela irritou e atrapalhou bastante a vida da protagonista, mas, em outros termos, foi necessária para ajudar a construir a autoconfiança da Kenzi, mais tarde.

No fim, só posso concluir que Um Amor de Cinema foi uma leitura gostosa e divertida de ser feita, com os típicos altos e baixos das comédias românticas, mas que envolve o leitor na medida certa com uma personagem que precisa aprender a valorizar-se e se dar uma chance de ser realmente feliz. É um enredo leve e uma narrativa doce e descontraída que permeia desde os momentos mais meigos e apaixonantes, até os mais cômicos e inusitados possíveis, que cumpre muito bem com sua proposta.

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