Resenha: O Lago Místico - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Resenha: O Lago Místico

Resenha: O Lago Místico

20/02/2015

Título: O Lago Místico
Edição: 1
Autora: Kristin Hannah
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581635811
Ano: 2014
Páginas: 368
Skoob
Avaliação:   
Onde Comprar: Amazon
Sinopse: Esposa e mãe perfeita, Annie vê o seu mundo desabar de uma hora para outra quando é abandonada pelo marido.
A fuga momentânea é para Mystic, a pequena comunidade onde ela cresceu e onde o seu pai ainda vive. Lá, Annie começa a se reerguer novamente, descobrindo o amor por si mesma, por um velho amigo solitário e por uma garotinha que acaba de perder a mãe.
Tudo está se encaixando na vida de Annie. Nick e Izzy se tornaram uma parte importante de seu processo de cura, e ela também se tornou essencial para a sobrevivência da relação entre pai e filha. Até que o seu ex-marido reaparece... e a tranquilidade rapidamente dá lugar ao desespero.
Kristin Hannah encanta mais uma vez com uma história comovente, sensível e verdadeira sobre perda, paixão e os fios frágeis que unem as famílias.
Faltando poucos meses para chegar aos quarenta anos, Annie não esperava passar por uma série de mudanças inesperadas. Se ela já não estava consolada pela viagem de intercâmbio de sua única filha, Natalie, de 17 anos, o que ela menos esperava era ser abordada pelo marido, logo em seguida, com um pedido de divórcio, então apaixonado por uma mulher mais jovem e, aparentemente, mais interessante do que sua pacata e delicada esposa. Sentindo-se perdida, Annie resolve deixar sua casa na ensolarada Califórnia e passar algum tempo no aconchego de Mystic, a pequena cidade onde nascera e crescera. Enquanto anseia cada dia por um telefone de Blake, pedindo-lhe desculpas e que volte para ele, ela vai tentando superar uma depressão, até que se esbarra em pessoas que um dia fizeram parte do seu passado; em especial, Nick, cuja vida só tem desmoronado desde a morte prematura da esposa, há oito meses. Com uma filha de seis anos que necessita, mais do que nunca, de sua atenção e amor, ele, porém, não tem tido sucesso em erguer-se novamente, e cada vez mais tem se entregado à bebida. É quando Annie verá uma chance de encontrar a si própria em meio ao apoio àquele que fora seu primeiro amor, e, só assim, rever seus conceitos e se dar uma chance de recomeço.

Um fato curioso sobre mim é que, apesar de ser uma pessoa extremamente sentimental, são poucos os livros que realmente me arrancam, não apenas lágrimas, mas uma angústia e dor reais, para logo em seguida apresentar um resquício palpável de esperança. Por isso, na primeira vez em que peguei um livro de Kristin Hannah para ler, tive receio de não me emocionar tanto quanto muitos diziam ficar durante a leitura. Agora, porém, só cresce a minha admiração por uma autora que, a cada livro, se supera cada vez mais para contar histórias diversas, mas ao mesmo tempo tão próximas e reais sobre família e maternidade, que definitivamente me arrancam muitas lágrimas. Mais uma vez, fui surpreendida pela narrativa ágil, mas não menos densa e firme de Kristin Hannah, que continua a firmar o talento da autora e, cada vez mais, a minha certeza de que ela não decepciona em nenhuma história.

“— Sei o que você está passando e você não tem de enfrentar isso sozinho.
[...]
— Você está errado, Joe. No final, estamos sempre sós.
— Foi esse tipo de pensamento que o deixou nessa situação.”

Mas, apesar de já conhecer a abordagem da autora e sua narrativa, a leitura de O Lago Místico não poderia ter sido mais difícil. Simplesmente porque, assim como os livros anteriores que li da autora, nesse, mais uma vez, Kristin não tem pena do leitor e desenvolve os personagens e demais acontecimentos com uma firmeza que assusta, de tão real, e pela gama de emoções que somos levados a sentir durante a leitura. Sendo um retrato fiel da vida de muitos homens, mulheres, crianças e, principalmente, famílias, acompanhamos o desenrolar da vida de Annie após uma brusca separação, reaprendendo a viver por si mesma e a encontrar o seu verdadeiro eu, perdido há quase vinte anos em um casamento que apenas podia ser chamado de estável e em uma vida na qual ela vivia em função dos outros, a sua felicidade totalmente ignorada no segundo ou terceiro plano. Uma vez que ela se depara com Nick e a realidade conturbada e opressora em que ele vive, ela percebe-se mais do que na hora de reaver aquela amizade do colegial, e a evitar que Izzy tenha uma vida tão ruim quanto a que provavelmente ela terá se o pai não entrar nos eixos novamente. Annie só não percebe que, enquanto os ajuda, ela mesma está voltando a se reerguer de suas dores, um passo de cada vez.

Como em seus outros livros, Kristin volta a apresentar ao leitor personagens fortes e cativantes, com defeitos e qualidades tão latentes e reais que, senão por serem fictícios, poderíamos pensar que eles são reais, por serem simplesmente humanos como qualquer um de nós. Cada qual, a seu modo, se firma no enredo com uma presença tão intensa que não há como duvidar de suas ações, de seus pensamentos. É impossível não querer entrar na história para abraçar a pequena Izzy e dizer que tudo vai ficar bem. É impossível não compreender as angústias, as inseguranças e o desespero de Nick, que mesmo depois de tantos erros cometidos, é visível que o que ele mais quer é acertar com a filha e ser merecedor de seu amor de novo. É impossível não querer socar Blake por trair e partir, tão abruptamente, o coração de sua esposa, para logo em seguida, querer estender-lhe uma mão amiga por reconhecer que, no fim das contas, ele tem problemas, apesar de os esconder a todo custo, e também precisa de ajuda. E, finalmente, é impossível não ficar com raiva da Annie por muitas atitudes impulsivas e tolas tomadas ao longo de sua vida, por mais que, compreendemos, fora consequência de uma educação na qual a mulher era apenas uma dona do lar, uma vez que perdera a mãe tão jovem e fora criada apenas pelo pai. Mas, especialmente, não dá para não se emocionar com cada novo passo que ela dá rumo à própria independência, ao seu verdadeiro eu.

“— [...] O amor pode se erguer acima da tragédia e nos dar um caminho para casa. Foi você quem me ensinou, e agora precisa que eu lembre isso para você.” 

Por muitas vezes no decorrer da leitura, senti a dor da protagonista e chorei com ela, em meio a tantos conflitos e perguntas sem respostas. Questões em que, entre o certo e o errado a se fazer, sua felicidade era colocada em risco, e senti-me angustiada, em diversos momentos, por reconhecer que, muita vezes, as coisas não acontecem do jeito que queremos e que, muitas delas, porém, são necessárias para que aprendamos alguma lição ou que, simplesmente, nos deparemos com um choque de realidade suficiente para que possamos, enfim, ir atrás da nossa felicidade. Porque é assim que as histórias de Kristin Hannah são, regadas no retrato da realidade, que nem sempre é boa, mas que também não precisa ser o tempo todo ruim

No fim das contas, só posso concluir que a minha admiração pela autora só cresceu e que eu certamente vou querer continuar a ler mais histórias suas. O Lago Místico é um daqueles livros que te angustiam, que te deixam em frangalhos, mas que, ao mesmo tempo, te libertam e enchem o coração de uma esperança latente e não menos real. Porque a vida é cheia de altos e baixos assim mesmo, mas, com fé e força de vontade, é possível não encontrar, mas construir, um pleno caminho de felicidade.

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