Resenha: Uma História de Amor e TOC - Corey Ann Haydu - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Resenha: Uma História de Amor e TOC - Corey Ann Haydu

Resenha: Uma História de Amor e TOC - Corey Ann Haydu

04/05/2016


Edição: 1
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501100580
Ano: 2015
Páginas: 320
Avaliação:     
Onde Comprar: Amazon
Sinopse: Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.
Muitas pessoas me falaram que este livro não é legal; ou que sua narração é chata e etc etc. Eu acreditei, mas resolvi arriscar mesmo sabendo que poderia acabar odiando. Talvez justamente por isso eu acabei gostando tanto dele. Eu não sou uma pessoa diagnosticada com toc. Acredito que, assim como todo mundo, tenho minhas manias mas elas não chegam a ser algo que interfira na minha vida, como que se eu deixasse de fazer tal coisa eu poderia morrer ou minha mãe morreria ou eu simplesmente ficar doente ou qualquer coisa assim; Portanto posso afirmar que a vida de alguém que passa por isso não deve ser fácil e que entender as suas necessidades devem ser muito mais difícil para nós que somos... saudáveis (se é que posso usar essa expressão). Talvez o que tenha incomodado mais as pessoas na leitura deste livro seja justamente isso: a não compreensão das necessidades da protagonista (e seus personagens).

Como diz a sinopse Bea foi diagnosticada com TOC. Ela tem necessidade de fazer certas coisas em seu dia a dia que a deixam mais confortáveis. Seja algumas anotações, ouvir uma terapia de casal no consultório de sua terapeuta e até mesmo stalkear uma determinada pessoa. Se ela não fazer isso sente como se algo muito terrível fosse acontecer com as pessoas, com o mundo. Não é fácil ler um livro de 320 páginas onde a protagonista fica o tempo todo neste clima, mostrando ao leitor as suas necessidades e muitas vezes nem sequer lutando contra elas como deveria fazer de acordo com as instruções que recebe de sua terapeuta, mas também ele pode ser muito bom para ajudar (pelo menos um pouquinho de nada) as pessoas a compreenderem como é estar na mente de uma pessoa com este problema (ainda mais nos dias de hoje onde é bonito romantizar ansiedade, toc, bipolaridade e etc). E sim, da mesma forma que este é um ponto positivo no livro acaba sendo também um ponto negativo. Nas primeiras 100 páginas eu estava curtindo tudo, achando um livro diferente dos que estou habituada e ler mas da página 100 a 200 a leitura ficou cansativa, até mesmo chata. Parece que pouca coisa diferente aconteceu na vida dos personagens e o relacionamento entre Bea e Beck não teve evolução (já já falo de Beck) até que a partir da página 200 as coisas começaram a andar de vez até a conclusão do livro que não foi tipo A conclusão mas faz todo o sentido com o que a história propõe.
Como regra geral, quando trata-se de falar com estranhos é melhor eu desistir enquanto ainda há tempo.
O titulo do livro sugere que existe uma história de amor, mas eu demorei para conseguir ver esse amor. Acho que alguns leitores podem até desconsiderar este aspecto. Não sei se é porque estou tão acostumada com esses livros onde o amor acontece tão rápido, que como este foi diferente eu não me senti tão... conectada, tudo estranho. Beck é um garoto que Bea conheceu por um acaso em uma festa e que por ironia do destino acabou parando na mesma terapia em grupo que ela. Eles não fazem uma amizade logo de cara, ou se envolvem amorosamente. A impressão é de que eles são apenas dois adolescentes que não acreditam que tem algum problema no meio de outros que já estão em estado muito mais avançado da doença. Claro que eles estão errados, pois cada um a sua maneira está cada vez pior e demora muito tempo até ambos compreenderem e aceitarem isso. Nesse meio tempo o relacionamento vai se transformando em algo mais até eles, enfim, perceberem o que sente um pelo outro. Chega até ser bonito, mas confesso que senti falta de mais conexão entre eles. Não vou comentar sobre o toc de Beck, só que é certo dizer que o dele é um dos mais comuns (acho que é desses que é usado como exemplo). Ele é um garoto super fofo que desenvolveu seu toc à partir de um trauma em sua vida.
Sinto falta de Beck, se é que é possível sentir falta de alguém que você tem evitado ativamente durante todo o dia.
O livro tem alguns personagens secundários importantes mas não marcantes. Sei o quanto eles foram importantes para a história de Bea, mas não sinto como se eu vou lembrar deles para sempre, entende? Algumas vezes o apego com personagens secundários é grande e eles se tornam até preferidos do que os protagonistas mas nesse caso acho que a autora soube centrar suas ideias em que realmente deveria ter a atenção. Uma História de Amor e TOC é um livro que vale a pena ser lido até o fim, mesmo que algumas partes desanimem um pouco. É importante estar preparadx para conhecer personagens um pouco diferentes do que aqueles que vemos em livros YA, ouso até dizer personagens com problemas reais e não apenas uma tristeza/drama da idade e no meio disso tudo ainda tem um romance de leve, calmo e do tipo que da para acreditar ser verdadeiro.

3 comentários:

  1. Oie...
    Também vi tanta gente reclamando desse livro que até desisti de ler... Mesmo lendo a sua resenha fiquei com a dúvida, principalmente, por esse amor demorar acontecer... Acho que não iria curtir :(
    Acho melhor deixar essa leitura pra outra hora, pois, certamente iria me decepcionar.
    Beijos

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  2. Oi Silviane!
    Sempre tive curiosidade em ler esse livro por falar de uma personagem com TOC. Tenho uma amiga diagnosticada com esse transtorno e percebo a dificuldade em lidar com isso, não só dela mas como das pessoas próximas.
    Lembro que quando comecei a ler resenhas a respeito desse livro elas eram bem divergentes entre si. Algumas consideravam um ótimo livro, outros nem tanto. Mas eu sentia a necessidade de ler algo que fosse crítico e apontasse os pontos positivos e negativos da trama, como achei na sua resenha.
    Por tudo que li, vou me arriscar na leitura sim. Pode não ser o tipo de leitura que eu vá considerar espetacular, mas com certeza vai me trazer algum tipo de reflexão.
    Beijos

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  3. Sil, eu fui uma das pessoas que achou o livro chato, para ser sincera não cheguei ao fim da leitura, mas não foi pela história em si que parecia ser bem bonitinha e interessante, mas pelas diversas contradições da obra. Não me recordo agora mas chegou um momento que eu fiquei exasperada com tanto descuido, até parece que não teve revisão, sem contar os erros grotescos como troca de nome, ortagrafia péssima, enfim... O fato de ela não litar contra foi algo que me incomodou também, mas só pq isso me lembrou a minha falta de determinação em mudar, sei que não é exatamente o caso da protagonista que tem problemas mais sérios que os meus, mas mesmo assim me deixou incomodada. No fim da sua resenha eu até me senti curiosa com como esse livro ia terminar, mas sinceramente não tenho certeza se irei dar uma nova chance, quem sabe mais para frente!

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