Resenha: Apenas um Garoto - Bill Konigsberg - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Resenha: Apenas um Garoto - Bill Konigsberg

Resenha: Apenas um Garoto - Bill Konigsberg

01/08/2016

Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580415896
Ano: 2016
Páginas: 256
Avaliação:        
Onde Comprar: Amazon
Sinopse: Rafe saiu do armário aos 13 anos e nunca sofreu bullying. Mas está cansado de ser rotulado como o garoto gay, o porta-voz de uma causa.
Por isso ele decide entrar numa escola só para meninos em outro estado e manter sua orientação sexual em segredo: não com o objetivo de voltar para o armário e sim para nascer de novo, como uma folha em branco.
O plano funciona no início, e ele chega até a fazer parte do grupo dos atletas e do time de futebol. Mas as coisas se complicam quando ele percebe que está se apaixonando por um de seus novos amigos héteros.

Apenas um Garoto, é a aposta do gênero LGBT da editora Arqueiro e eu realmente queria começar a resenha, dizendo o quanto o livro foi significante para mim, mas infelizmente a obra de Bill Konigsberg não conseguiu me cativar. Com as boas críticas na própria edição e lendo algumas resenhas dos colegas blogueiros a respeito da obra, ainda me pergunto o motivo de Apenas um Garoto não ter sido uma leitura significativa para mim, não seria o caso de não ter gostado totalmente da história, na verdade a narrativa sobre Rafe realmente é legal, interessante e possui bons momentos, mas como um todo, o livro não me atingiu, há uma série de fatores que podem ter acarretado isto, mas acredito que o principal motivo de Apenas um Garoto não ter sido cativante para mim, foi a falta de sentimentos e emoções.

Por mais que tenhamos uma história com questionamentos importantes, reflexões e nascimento de um primeiro amor, Rafe não teve minha empatia, compreendi suas escolhas e compreendo o motivo de tê-lo levado a não querer ser apenas o garoto gay, mas infelizmente não senti nada perante a narrativa, não houve o coração apertado, aquela sensação de angustia ou alegria, de dor, raiva, tristeza e felicidade que um livro deve transmitir para o leitor, é como se mesmo estando presentes, esses sentimentos ficassem de lado na trama e não conseguissem sair das páginas e me atingissem, afinal, quando uma história consegue nos fazer sentir cada emoção vivida pelo personagem como se fosse nossa, este sim é livro que terá desperto toda sua funcionalidade no leitor, só que em Apenas um Garoto, eu não senti isso esses sentimentos e muitas vezes não consegui suportar o egoismo que Rafe expunha para aqueles que o ama. 

Rafe estava cansado de ser rotulado como "o garoto gay", desde os 13 anos, o jovem assumiu sua orientação sexual e não sofreu por isso, seus pais, família e amigos, lhe apoiam e aceitam como ele é. Mas Rafe não queria apenas ser "gay", mas sim Rafe, um garoto normal, sem precisar de um rotulo perante a sociedade. Disposto a mudar e começar do zero, Rafe se muda para uma escola só para garotos, onde sua orientação sexual não é o chamariz de ninguém, sua intenção não era exatamente se esconder ou "voltar para o armário", mas sim, ser apenas Rafe, sem títulos, sem pressão, sem rótulos.

- Estou cansado de ser o garoto gay. Não quero mais isso para mim. Eu só quero ser, tipo, um garoto normal.
- Ah, querido. Não existe isso de garoto normal... Poxa. Estou tão decepcionada. Não sei direito como reagir.
- Você não precisa reagir a nada. Basta ser minha mãe.
- Ser mãe do Rafe hétero, você quer dizer - disparou ela, sem rodeios.
- Por que preciso ser rotulado de um jeito ou de outro?

No entanto, essa nova vida que Rafe decide criar, acaba virando uma bola de neve, a cada situação, a mentira começa a vir a tona e uma parte tão importante dele fica escondida e o jovem sente-se mal por carregar essa falsidade, mas o desafio maior é perceber que um sentimento forte começa a abalar seu coração. Rafe percebe que pode estar apaixonando-se por um de seus amigos héteros e isto pode por tudo a perder, seja as novas amizades e até mesmo o conforto de finalmente estar sendo visto apenas como é, não por uma característica. 

Posso dizer que um dos motivos de Apenas um Garoto ter despertado meu interesse, era a escolha de Rafe em querer se ver livre do rotulo, não que ele desejasse não ser gay, nosso protagonista tem orgulho de sua orientação sexual, mas sua intenção era que as pessoas vissem além disso, que não existisse uma barreira entre ele e os demais garotos. No entanto, eu esperava que o autor pudesse se focar mais em um drama do que apenas no convívio de Rafe com essa nova realidade, senti que faltou um pouco mais de profundidade e amadurecimento para expor mais as emoções, afinal, como mencionei no inicio, não consegui sentir empatia por Rafe e sua história, mesmo compreendo, não fiquei tocada em momento algum da narrativa, algo que eu esperava que acontecesse. 

Até entendo que livros juvenis com essa pegada mais Young Adult, muitas vezes revelam um enredo mais simples, sem pouca exploração para as descrições, sendo o maior foco o dialogo e visão do protagonista quanto ao que esta vivendo, mas assim mesmo, eu esperava que a trama fosse mais, que arrancasse lágrimas dos meus olhos e me fizesse suspirar com o passar das páginas, só que não foi o que aconteceu e nem digo que história seja de todo ruim, mas que apenas faltou um pouco mais aprimoramento, que fosse mais densa e cativante. 

Talvez não fosse o momento ou eu que realmente acabei esperando demais e não consegui de fato me conectar com Rafe, isto me deixa até triste, pois realmente este era um livro que eu esperava muito gostar; Claro que foi uma experiência única ler Apenas um Garoto, me proporcionou um entretenimento legal, só que eu não consegui de fato visualizar a história, lia e nada de fato me envolvia, por isso talvez a falta de algo impactante ou que mexesse com meus sentimentos, foi o que me fez não apreciar totalmente o livro. Mas nem por isso a obra deixa de mostrar uma reflexão interessantes, como a valor de amizades verdadeiras, o fardo de criar nossas próprias barreiras que impedem que coisas boas possam acontecer, as consequências de mentir sobre quem você é, bullying, depressão, aceitação e principalmente o amor. 

Apenas um Garoto traz ótimos questionamentos e reflexões, mas careceu de aprimoramento, tornando muitas vezes a história rasa e um pouco forçada, não me conectei a nenhum dos personagens e a única que poderia ter ganhado minha simpatia, era Claire Olivia, mas ela pouco aparece, mesmo sendo uma personagem importante. Enfim, Apenas um Garoto foi uma leitura legal, a escrita de Bill Konigsberg é fluida, os capítulos são curtos, o que facilita a leitura e por mais que a leitura não tenha sido totalmente satisfatória, recomendo sim que tirem suas próprias conclusões.
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13 comentários:

  1. Que pena você não ter gostado tanto do livro, eu ainda não tinha lido nenhuma resenha dele, mas confesso que achei que fosse um livro maravilhoso, claro que um livro não é nunca a mesma experiência para leitores diferentes e eu até poderia gostar deste. Rafe me parece ser um protagonista determinado e cheio de atitude, isto me atrai na trama.

    Bj, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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    1. Ah Van, eu esperava que fosse algo mais intenso, no estilo de Águas Turvas, que foi o melhor livro do gênero que li até hoje, mas é uma pena que o livro do Bill não tenha me conquistado totalmente.

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  2. Olá, eu estava bem curiosa sobre esse livor, pois a premissa é super interessante: querer ser visto por muito mais que sua orientação sexual, mas vi alguns comentários sobre ele que me deixaram em dúvida sobre como o autor trabalhou o enredo. Ainda assim, é um livro que quero ler.

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    1. Faltou profundidade na história, mas assim mesmo recomendo conhecer, afinal, você pode gostar.

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  3. Que resenha maravilhosa!!
    Poxa, é uma pena que o livro não tenha te cativado tanto. To vendo tanto marketing sobre esse livro e fiquei mega curiosa com ele.
    É possível que você tivesse mesmo com as expectativas altas e com isso acabou se decepcionando um pouco. Realmente é uma pena.
    Beijo

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    1. Obrigada, Nati! Realmente fico triste pelo fato do não ter me cativado totalmente.

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  4. Terminei o livro hoje Sammy, e que pena saber que a leitura foi meio frustrada para você... :(
    Eu gostei muito da leitura, mas realmente parando para pensar, não foi aquela leitura que te aperta o coração. Me emocionei e criei empatia com o personagem, mas em termos de comovente o livro não chegou a tanto. A leitura foi rápida, então isso foi outro ponto positivo, pois o autor conseguiu me conduzir no enrendo de forma rápida, talvez por isso você não tenha se cativado tanto, porque ele não explorou tanto.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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    1. Pode ser Dessa, por não ter explorado tanto, acabei não curtindo muito, foi realmente uma obra que eu esperava demais.

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  5. Oi Sammy, sua linda, tudo bem?
    Que pena, eu acho a empatia com os personagens e o envolvimento com a história essenciais em um livro. Pois quando isso não acontece, não consigo acreditar na história. Pelo tema, tinha tido para ser um bom livro e poderia ter se destacado ao explorar um assunto importante. Confesso que fiquei desanimada. Gostei muito da sua sinceridade. Sua resenha ficou ótima.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Cila! Fico feliz que tenha gostado da resenha!

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  6. Oi Sammy. Bom, você já sabe como anda minha leitura né? Provavelmente minha opinião final vai ser bem parecida com a sua. Não to conseguindo gostar do Rafe, to achando ele muito preconceituoso, muito egoista e coisas do tipo. Por um lado acho bom o autor deixar ele assim, porque ai fica proximo da realidade né, porque não é porrque o cara é gay que ele tem que ser a pessoa mais legal do mundo e totalmente aberta, mas mesmo assim, eu esperava um personagem mais cativante.
    beijos

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    1. O Rafe é bem peculiar, não consegui engolir algumas coisas que ele fazia, principalmente em relação aos pais e a Claire. Estou ansiosa para ler sua resenha, Nath. :)

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  7. Terminei de ler essa semana, já escrevi a resenha e logo ela estará no blog.

    Diferente de você, eu adorei a leitura! É narrado pelo ponto de vista de um garoto, então não tinha como esperar grandes resoluções. Ele era bem resolvido, só tinha uma vontade de ser outra pessoa. Super entendi esse modo do autor colocar a visão dele.

    Mas eu adoro mesmo isso. Como um livro pode encantar tanto uma pessoa e outra não ♥ É o melhor deles!!!

    Adorei a resenha!!

    Bjkssssss

    Lelê

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