Resenha: O Voo da Fênix - Raquel Pagno - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Resenha: O Voo da Fênix - Raquel Pagno

Resenha: O Voo da Fênix - Raquel Pagno

05/10/2016


Edição: 1
Editora: Tribo das Letras
ISBN: 978-85-67208-75-6
Ano: 2015
Páginas: 256
Avaliação:    
Onde Comprar: Submarino
Sinopse: Natália é secretária em um famoso escritório de advocacia, dona de uma vaga conseguida à duras penas, como a sua liberdade e a independência conquistada, de morar em um apartamento simples, mas seu. Vinda de uma família humilde, Natália crescera ao lado de Andrew, um garoto problemático que jura ouvir vozes do além e ver a morte acompanhando as pessoas que estão prestes a partir.
Naquele dia, entretanto, ela acordara indisposta, com muitas dores e tonturas, levantara-se com muito esforço e com as imagens do pesadelo ainda na memória. Ao atender o primeiro chamado diurno do chefe, Natália perde os sentidos. Dias depois, acorda em uma cama de hospital, e se depara com uma nova realidade, uma força de vontade e uma alegria de viver, mesmo sabendo que possui um aneurisma cerebral que, talvez, não lhe permita viver tempo o bastante para realizar todos os sonhos que brotaram inesperadamente.
Entre as vontades de Natália, a mais forte e vibrante é a de encontrar o homem que a atormenta todas as noites em seu pesadelo. Para isso ela conta integralmente com a ajuda de Andrew, que encoraja a começar uma terapia de regressão. Porém durante as sessões, ela se depara com terríveis lembranças de suas vidas passadas e de como ela presenciara muitas vezes a morte catastrófica daquele mesmo homem.
Andrew não só a apóia na decisão de descobrir quem é o tal homem, como segue com ela em uma viagem rumo ao desconhecido. Uma vez encontrado o intocável homem dos sonhos, nesta vida um destemido e apaixonado piloto de acrobacias, resta-lhes inventar uma maneira de chamar sua atenção e fazer com que ele ouça o relato de Natália, que está convencida: nesta vida, vai livrar-lhe da morte precoce que o aguarda.

Ainda hoje, sentada enfrente ao PC, eu queria mesmo começar dizendo o quanto esse livro me cativou, mas nem sempre uma leitura será positiva e mesmo que esta tenha uma boa proposta, as vezes não era o momento, você não era o leitor certo para um tipo de livro e é isto que sinto em relação a O Voo da Fênix. Este é o terceiro livro da autora Raquel Pagno que eu leio e chegou por intermédio do Book Tour, realizado pelo blogue Relíquias, da minha amiga Aline e quero agradecer pela oportunidade e também a autora, por ter sido escolhida para tal, mas diferente de O Legado de Sangue e Senhores dos Sonhos, esta não foi uma leitura que me envolveu.

Apesar do tema interessante e que de fato eu gosto e tenho curiosidade, O Voo da Fênix não supriu minhas expectativas e peca em uma narrativa pouco atraente, mecânica e até um pouco forçada eu diria, afinal, não senti naturalidade nas ações dos personagens, era como se estivessem encenando a trama e não vivendo aquela história. Não consegui sentir empatia por Natália, Andrew ou o Piloto, pois não senti convicção em seus propósitos ou sentimentos, porque nada parecia natural e de fato, a obra não envolveu, senti falta daquela pegada mágica e fluida de Senhores dos Sonhos, do encantamento que senti ao ler O Legado de Sangue, que até hoje é um dos meus livros prediletos.

Como mencionei no início da resenha, O Voo da Fênix é o terceiro livro da Raquel que eu leio e fico sentida por não ter sido cativada pela história, por não ter sido atingida por suas palavras e por mais que fosse um livro pequeno, demorei muito mais tempo que o planejado para finaliza-lo, afinal, não tive interesse em voltar para a narrativa e por pouco, quase abandonei de vez a leitura. Logo de inicio, a narrativa, que se dá tanto em primeira, quanto em terceira pessoa (o livro é divido entre a história principal em terceira pessoa e as cartas de Natália, nos narrando as emoções e sentimentos que ao final, compreendemos o motivo por detrás das cartas) e é pouco atraente, não fluía e junto com voltas que muitas vezes acontecia na trama, fizeram com que a leitura ficasse mais cansativa, senti falta da ousadia, da surpresa, da emoção que encontrei em O Legado de Sangue e em Senhores dos Sonhos, há alguma coisa faltando em O Voo da Fênix e acredito que a falta de naturalidade foi um fator que pesou bastante em minha experiência com o livro.

Por mais que Natália seja uma personagem em uma condição peculiar e que podemos até entender suas atitudes, ela carece de personalidade, de simpatia, chegando muitas vezes a soar egoísta, negativa e mesmo quando lutava, bastasse que algo saísse de seu controle, que ela voltava a ser aquele espírito derrotado, sem pretensão. Outro ponto em relação a protagonista que me incomodou e sinceramente, não me convenceu, foi seu súbito amor pelo Piloto, entendo que ambos estão ligados e destinados, mas soou tão obsessivo por parte da Natália e tão instantâneo por parte do Piloto, que não consegui ver seus sentimentos como amor, como um romance, não me convenceu e talvez um aprofundamento nessa relação, fosse o mais indicado para que o leitor suspirasse e torcesse por eles. Só que apesar disto, Andrew acaba sendo um alívio ao enredo, um personagem que se destaca mais que os protagonistas, mas ainda sim não foi o suficiente para que o enredo me prendesse.

No entanto, mesmo com as ressalvas descritas acima, a obra apresenta pontos bons, o tema central, vidas passadas, é ótimo e até pouco abordado na ficção (sem contar os livros espiritas) e foi sim um ponto que é interessante e fora isto, O Voo da Fênix ainda nos traz lições boas, como a de não desistir apesar das circunstâncias e a fé na amizade verdadeira, foram pontos que tirei da leitura e me agradou bastante.

Para finalizar a resenha, quero comentar a respeito do trabalho editorial, que infelizmente pecou em vários aspectos e foi muito prejudicial na leitura. Na diagramação interna, no final de cada página, há um desenho floral, que ficou aparente demais e por estar atrás do texto, ficou difícil de ler, muitas vezes precisei voltar várias vezes o mesmo trecho por conta disto, este tipo de detalhe, por mais que dê um charme, não deve ser colocado no texto, pois nossos olhos consequentemente irão focar no desenho e por ter ficado tão visível, foi prejudicial. A diagramação em livros, precisa ser mais simples, afinal, acaba ficando uma composição que não combina entre si, que não conversa, e também foi o caso da capa e das fontes escolhidas, o trabalho gráfico como um todo não ficou legal e merece uma atenção maior. Quanto a revisão, não encontrei nenhum erro aparente e minha ressalva, fica apenas na diagramação e capa.

Sem mais, O Voo da Fênix é uma leitura que recomendo cada leitor a tirar suas próprias conclusões, afinal, como descrito no início, talvez eu não fosse o tipo de leitora para este livro e nem mesmo fosse o tempo de ler um romance tão denso, por isso mesmo, aconselho que leiam e tenham sua própria opinião, pois o que não me agradou hoje, pode te agradar amanhã e vice e versa.

3 comentários:

  1. Oi, quando li a sinopse, até achei a historia interessante, mas depois de ler a sua resenha, me senti desanimada, e pelo o livro ter te decepcionado, pois os outros foram ótimos, acabou me desestimulando a querer lê-lo e por isso, vou deixar passar a dica.
    bjus

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  2. Oi Sammy, me deu medo, sério! HHUhuhuahuah Tenho a impressão que eu não me daria bem com esse livro, pelo que você disse sobre a protagonista eu acredito que não iria me identificar com ela, a empatiA iria passar longe. E o romance forçado é outro ponto que não me agrada, alias pelo que entendi tudo é muito forçado e antinatural. A única coisa que parece ser boa no livro é Andrew kkkkk

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  3. Olha amiga sinceramente esse livro não me chamou atenção, sem contar que eu vi que você também não curtiu muito, e pra piorar a editora também não ajudou muito na revisão. Então...uma coisa completa a outra. Sei que esse é um livro que pra mim não adianta nem dar uma chance.
    Bjs

    livrosemarshmallows.blogspot.com.br

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