Resenha: Raio de Sol - Kim Holden

28/12/2016

Editora: Outro Planeta
ISBN: 9788542207453
Ano: 2016
Páginas: 448
Skoob
Avaliação:  
Onde Comprar: Amazon - Saraiva - Fnac
Sinopse: Segredos.
Todo mundo tem um.
Alguns são maiores que os outros.
Alguns, quando revelados,
Podem curar você...
E outros podem acabar com você.
Faça épico, costuma dizer Kate Sedgwick quando quer estimular alguém a dar o melhor de si. Nascida numa família-problema, com direito a mortes e abandono, a garota de dezenove anos sempre buscou fazer a diferença. Em vez de passar os dias lamentando os infortúnios da vida, como tantos fariam em seu lugar, sempre vê as coisas pelo lado positivo não é por outro motivo que Gus, seu melhor amigo, a chama de Raio de Sol.
E é por isso que, quando passa na faculdade e se muda da ensolarada San Diego, na Califórnia, para a fria cidade de Grant, em Minnesota, ela leva consigo apenas boas lembranças e perspectivas. O que ela não espera é que será surpreendida pelo amor único aspecto da vida em relação ao qual nunca quis ser otimista ao conhecer Keller Banks, um rapaz que parece corresponder aos seus sentimentos. Acontece que tanto ele quanto ela têm um segredo. E segredos, às vezes, podem mudar tudo.

Todos sentados? Hein? Espero que sim, pois bem... Antes de mais nada, já deixo claro o quão difícil é iniciar a resenha daquele livro que, por maiores que fossem suas expectativas, conseguiu não apenas bater todas elas, bem como, inclusive, me dar um verdadeiro tapa na cara em momentos aparentemente despretensiosos no decorrer da leitura que puderam me inspirar e emocionar tanto. Mais ainda, que me fez refletir e me surpreendeu de tal forma que, hey, eu achei que estava preparada, mas não para tudo o que essa leitura resguardava.

Falando assim de repente até parece o livro mais incrível do mundo, mas sabem de uma coisa? Não é, e é aí que está a graça da coisa toda. Em seu livro, Kim Holden nos brinda com um enredo que, só pela premissa inicial, poderia passar batido como mais um simples new adult com personagens fugindo de passados turbulentos e em busca de superação pessoal para construir um novo rumo para suas respectivas vidas. Em parte, Raio de Sol é isso, sim, mas também consegue ir um pouco mais além. A autora aproveita-se de um enredo aparentemente clichê do gênero e nos apresenta um grupo de personagens com as mais diversas personalidades e vivências, em um cotidiano um tanto quanto comum da universidade, com o brilhante detalhe: sua protagonista.

“Não posso surfar, então corro. Lembro a mim mesma que a dor nos meus músculos exaustos não é dor, é vida. E a vida é divina. Todos os dias, todos os minutos, todos os segundos.”

Em Raio de Sol, tive o prazer de conhecer aquela que ficará marcada como uma das personagens mais incríveis que já vi na literatura, principalmente em um gênero tão contemporâneo como o new adult. Após um período particularmente tenso de sua vida, Kate Sedgwick está, enfim, ingressando na faculdade e é junto do leitor que ela começa a experiência, ora compartilhando impressões sobre o seu dia-a-dia com o melhor amigo, Gus, que está gravando um álbum com sua banda e preparando-se para sua primeira turnê, ora conhecendo cada um daqueles que viriam a se tornar seus novos amigos na pequena Grant, em Minnesota. Com uma personalidade forte e vivaz, além de um bom humor natural e por vezes sarcástico para enfrentar os imprevistos do dia-a-dia, Kate acaba não apenas fazendo novas amizades como, principalmente, fazendo jus ao apelido dado por Gus, sendo um verdadeiro raio de sol na vida daqueles que a rodeiam.

Por mais sofrida que já tenha sido sua vida, é com muita positividade e força de vontade e dedicação que Kate segue a cada dia, e por mais que ela tenha, sim, seus momentos de confusão e desânimo, é visível a força que ela busca ao máximo dentro de si mesma para enfrentá-los, procurando sempre, então, nunca deixar-se abater pelos problemas. Isso por si só foi um gás enorme na leitura, por simplesmente não haver mimimi's e ela sempre focar no que é mais importante, mas de uma forma que em nenhum momento chega a ser forçado ou superficial; é possível sentir a sinceridade e autenticidade dela em cada um de seus atos, dos mais simples aos mais ousados, por vezes também agindo com firmeza, sem enrolação, principalmente quando isso dizia respeito à ajudar os amigos em quaisquer que fossem os seus dilemas. Ela apoia à todos eles, puxando a orelha quando necessário e dando consolo quando precisam, e eles o retribuem de tal maneira que, no fim das contas, o sentimento de amizade sincera é quase palpável para o leitor

“— Sempre fui boa em aceitar as pessoas por inteiro, o bom e o ruim. Vejo tudo, mas tento não deixar o ruim atrapalhar minha avaliação. As pessoas são complicadas. A vida é complicada.” 

E isso foi, de longe, um dos fatores que mais me emocionaram e envolveram durante a leitura. Eu sempre ficava um pouco reticente com algumas representações de amizades em outros livros porque nem todas me convenciam do real sentimento de companheirismo da relação, mas nesse livro eu posso dizer que fui não apenas convencida como, inclusive, me senti até parte da família, rs. Emotividades à parte, fato é que a relação estabelecida entre Kate e seus amigos é muito real. Desde Gus, seu melhor amigo desde a infância, até os atuais na universidade, Clayton, Peter, Shelly, Duncan... A relação entre eles é forte de tal forma que por vezes eu esquecia que se conheciam há tão pouco tempo. Keller, em especial, então co-protagonista do livro, responsável também por narrar alguns vários capítulos, é outro personagem que, de igual modo, surpreende pela sua sinceridade e por uma força que, porém, ele não acreditava possuir, e é através de sua inicial amizade com Kate que ele ganhará ainda mais impulso para, assim como ela, enfrentar os próprios problemas e erros passados.

Foi por causa disso, inclusive, mesmo durante alguns capítulos bem monótonos - que na verdade não são realmente numerados, apenas divididos pelas datas de cada um dos dias passados no enredo, logo alguns são bem curtos e outros são medianos - lá pelas páginas 140 à 190, que eu, ainda assim, insisti na leitura e, por volta das 200 páginas já estava totalmente imersa no enredo. E, ok, você pode pensar: "mas como esperar passar 200 páginas para a história engatar de verdade?" Pois bem, eu também pensei isso, mas a verdade é que todas essas páginas iniciais são necessárias para o leitor se fazer conhecer inteiramente a base dos personagens principais e sua protagonista, em meio ao seu dia-a-dia, para só então introduzir algumas questões e dramas que não apenas te prendem à leitura como te deixam com o coração batendo forte de expectativa e angústia pelo o que virá a seguir; simplesmente não dá para ignorar o quão boa a leitura fica a partir daí até o final. Sério, totalmente compensa o início que pode ser arrastado um pouco, ainda que a narrativa, em geral, seja bem leve, fluida, por vezes até divertida.

“— Eu jamais teria vindo assim. Admiro sua espontaneidade, Katie. Não consigo ser assim.
Dou uma cotovelada no braço dele.
— Odeio dizer isso, mas você acabou se conseguir. Eu teria perdido alguns dos melhores momentos da minha vida se não fosse espontânea. Sinceramente, tento não pensar demais no futuro. Sou uma grande fã do presente.
— Estou sempre olhando para o futuro – diz ele, sério. — Não posso não ser assim. O futuro é tudo que tenho.
— Às vezes, o futuro é supervalorizado. — E assustador.
— Não para mim.
— Não estou dizendo que você não deva seguir seus sonhos e objetivos. Só não deixe o presente de lado por um futuro desconhecido. Muitas felicidades são deixadas para trás, ignoradas ou adiadas para um momento que pode não chegar nunca. Não fique esperando as coisas e perca o momento por um amanhã sem garantia.” 

Os capítulos finais, em especial seu desfecho, porém, conseguem ser ainda mais decisivos e definitivamente arrancar lágrimas e emoções sem precisar de esforço. São momentos que particularmente me fizeram parar um instante na leitura e pensar o quão difícil certas situações podem ser, mas o quão fortes temos que continuar sendo, ou do contrário elas sugaram toda nossa real essência por trás da dor, por trás da raiva, por trás das lágrimas. A real essência dos sorrisos, das boas lembranças, das risadas, dos suspiros, dos olhares doces... Além de que, principalmente, a brevidade acaba sendo amenizada quando se está ao lado de quem a gente ama e, de igual modo, nos ama e nos faz bem.  Identifiquei-me ainda com Kate por ter vivido algo levemente parecido com o que ela passa, o que só me envolveu ainda mais à história e me concluir com a leitura com olhos cheios de lágrimas e, ao mesmo tempo, um sorriso de orgulho no rosto.

No fim das contas, Raio de Sol foi uma leitura impactante, emocionante e que se destacou de forma singular para mim. Pois, como eu disse alguns parágrafos acima, não trata-se do livro mais incrível do mundo, e é aí que está a graça de Raio de Sol, por ser aparentemente mais um clichê new adult, mas ter um enredo igual em emoção e diversão, além de ser dotado de personagens simplesmente humanos, com personalidades fortes, sem quaisquer exageros ou estereótipos, com iguais níveis de qualidades e defeitos, bem como de coisas boas e problemas em suas respectivas vidas, mas que buscam aproveitar o melhor de cada dia e seguir em frente rumo aquilo que almejam. Eles erram? Erram. Irritam em alguns momentos? Ah, com certeza. Nos fazem chorar quando menos esperamos? Mais ainda! Mas nos cativam sem precisar de grandes esforços? Principalmente. Porque não é sobre ser a pessoa mais incrível do mundo. Basta ser a pessoa mais incrível para alguém que você ama e vice-versa, porque, parafraseando minha mais nova dupla de melhores amigos preferida, Kate e Gus, nós podemos ser épicos e, mais ainda, fazer algo épico, ao mesmo tempo em que somos simplesmente humanos. Sem dúvidas, uma das minhas melhores leituras do ano de 2016!

Um comentário:

  1. Eu me apaixonei real por esse livro, a história, os personagens e principalmente a Kate, que é incrivelmente demais!! Seja épico.

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