Resenha: Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro - Da imaginação à escrita Da imaginação à escrita: Resenha: Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro

Resenha: Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro

03/01/2018


Título: Não me abandone jamais | Autor (a): Kazuo Ishiguro | Editora: Companhia das Letras | Páginas: 344 | Skoob.

Onde comprar: Amazon, Americanas.

Sinopse: Kathy, Tommy e Ruth são clones criados para doar órgãos. Tendo esse cenário de ficção científica por pano de fundo, e o triângulo amoroso como gancho, Kazuo Ishiguro fala de perda, de solidão e da sensação que às vezes temos de já ser "tarde demais". Finalista do Man Booker Prize 2005.Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Cortesia em parceria com editora.

Esse é um daqueles livros que me deixou com uma pulga atrás da orelha. Será que é chato assim mesmo ou fui eu que não entendi o que o autor queria passar? Não me abandone jamais tem tudo pra ser uma história que toca e emociona, e assim o faz com a maioria dos leitores, mas comigo...

O livro é narrado em primeira pessoa por Kathy, uma cuidadora que está prestes a terminar sua função e virar uma doadora. O livro começa nesta época, e antes da personagem enfim cumprir sua função no mundo, ela irá refletir sobre todos esses anos passados, sobre a sua vida e tudo o que houve. Basicamente é um livro de memórias. Somos transportados para os anos da infância, adolescência e vida adulta de Kathy, num vai e vem com o presente que sinceramente me incomodou bastante. Talvez, essas lembranças e a narrativa em primeira pessoa tenham sido o conjunto "perfeito" pra me fazer empurrar o livro com a barriga. Kathy não é um personagem cativante, muito menos seus amigos, Tommy e Ruth, e foi difícil criar alguma simpatia e ligação com a mesma.

A história com um potencial gigantesco, principalmente pelo plano que usa para trazer reflexão: clones são criados unicamente para doar órgãos vitais. A premissa por si só é extremamente interessante, e como curiosa nestes assuntos da ficção científica, eu acharia o máximo se o autor tivesse focado neste processo. Acho que o efeito de choque de realidade, reflexão e sentimentos seriam o mesmo e até melhores. O que temos durante o enredo são pistas de como tudo funciona, pistas essas que chegam através das lembranças e divagações de Kathy, que também sabe muitíssimo pouco. Na verdade, a sensação que tive ao chegar ao fim da história, é que não entendemos direito o processo de clones e doações, assim como a personagem também não.

O autor usa dessa premissa (que pra mim é bem viável) para falar sobre solidão, dos sentimentos, injustiça e humanização. É bem claro durante todo o livro a reflexão que ele nos traz, e afirmo que é muito importante. É um livro que demora a ser lido por conta de sua bagagem emocional (e pela narrativa lenta) e que demonstra que foi criado com todo o cuidado do mundo. Prende a atenção sim, te deixa curioso sim, mas é aquela coisa, não funcionou comigo.

A edição é ao mesmo tempo simples e belíssima. A beirada das folhas é prateada assim como a capa, o que dá um charme a mais ao livro. Sei que existe um filme baseado na obra e procurarei assistir para fazer comparações. Indico o livro sim, apesar de sair desgostosa ao término dele. Normalmente, acho que é minha falta de paciência com histórias assim que causam meu desanimo.

Nathalia Simião

Escrito por:

Nath. Amante de livros, obviamente. Seu maior sonho é conhecer a banda Linkin Park e descobrir uma coisa interessante pra escrever aqui.

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